Quando nos perguntamos quais os sinais dos tempos modernos, teremos que referir a obesidade e os problemas de saúde causados por um estilo de vida sedentário e por uma má alimentação como principais. Resumindo, temos menos actividades físicas, comemos mais e comemos pior. A quantidade de produtos processados que ingerimos e que damos a ingerir às nossas crianças é assustador, principalmente numa era em que são essas mesmas crianças que decidem o que vão comer, com a complacência dos pais. O desconhecimento generalizado dos produtos que são prejudiciais também não ajuda. Quando se fala em açúcar, o mesmo pode aparecer de várias formas, desde xarope de milho, maltose, glícidos, dextrose, frutose, apenas para citar alguns exemplos.

O drama é que vivemos também numa era onde comprar comida saudável é mais caro do que comprar comida processada e onde as crianças acabam por ser o maior ponto de pressão que nem sempre é fácil resistir principalmente para aqueles que não têm conhecimento de como o açúcar cria dependência, quando é introduzido nas dietas precocemente e como tal todas as dependências, entra-se num jogo onde existe um emissor de uma sensação, o açúcar, e um receptor, o cérebro. O que acontece ao longo do tempo é o mesmo que com qualquer dependência que gere prazer. Temos o impacto psicológico da compensação e do conforto. Quando existe habituação, a mesma dose não vai surtir o efeito, o efeito esperado e desejado e como tal, essa mesma dose sofre um aumento.

Como tal é recomendado que o açúcar seja dado em quantidades mínimas para as nossas crianças e se possível, o mais tarde possível. Não confundamos o açúcar essencial ao nosso organismo com o que estamos aqui a debater. Esse açúcar está presente nos cereais, nas frutas, nos lacticínios e que ingerimos (ou assim deveríamos) em quantidades necessárias caso a nossa alimentação seja saudável.

Para ser mais fácil de explicar, talvez seja melhor radicalizar. O açúcar é como um ácido que queima aquilo que está em contacto. Daí o problema dos dentes e daí uma das causas de hipertensão, em que as veias protegem-se naturalmente do açúcar, ficando com uma camada mais grossa. Essa camada mais grossa, protege o organismo do efeito ácido do açúcar mas também faz com que o espaço para que o sangue passe seja inferior, o que obriga a que o coração tenha de aumentar a pressão para bombear o sangue de forma a que chegue a todo o lado onde é suposto chegar.

Outra forma de se ter consciência do poder destrutivo do açúcar é ter presente de que causa os mesmos problemas ao metabolismo que o álcool - que surge precisamente do açúcar, seja de frutas ou de tubérculos. O resultado também é problemas de fígado, alterações cardiovasculares, enfartes, acidentes vasculares do cérebro. Nada que queiramos deixar como herança para os nossos filhos.