Segundo o EU Joint Programme - Neurodegenerative Disease Research (JPND), as doenças neuro degenerativas constituem condições debilitantes e incuráveis que resultam da degeneração progressiva e/ou morte das células nervosas que são responsáveis por algumas das funções do sistema nervoso central e que, em casos graves, pode mesmo levar à perda de funções motoras, fisiológicas e capacidade cognitiva. Em termos estatísticos, estima-se que cerca de 150 mil portugueses e 9 milhões de europeus padeçam de algum tipo de demência, estando previsto que o número de pessoas atualmente afetadas possa duplicar nos próximos 20 anos, devido ao envelhecimento da população.

Estas doenças, como a doença de Alzheimer e Parkinson, constituem assim um dos principais desafios médicos e sociais das sociedades modernas numa tentativa de minorar os efeitos irreversíveis deste tipo de doenças e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Foi exatamente a pensar num problema que afeta o quotidiano das pessoas que sofrem de Parkinson - a perda da habilidade de escrever de forma legível - que a empresa britânica Dopa Solution, formada por jovens designers e engenheiros e liderada pela designer Lucy Jung, desenvolveu uma caneta especial que promete neutralizar os efeitos da mão trémula durante a escrita: a Arc Pen.

A ideia surgiu quando Lucy Jung descobriu que tinha um tumor no cérebro e começou a pensar sobre a importância de adaptar o design para as pessoas que têm necessidades especiais ou que sofrem de alguma doença limitativa. Depois de curada, a investigadora procurou sensibilizar as pessoas para as dificuldades de quem vive com a doença de Parkinson e teve a ideia de criar uma caneta que libertasse pequenas descargas elétricas para simular o tremor causado pela doença e que dificulta grandemente a escrita à mão. Nasce, assim, a Arc Pen, a primeira caneta desenvolvida para ajudar os doentes de Parkinson a terem uma escrita legível e a relaxarem os músculos das mãos pois, ao funcionar por meio de vibrações, elimina temporariamernte a rigidez característica da doença o que faz com que a ponta da caneta deslize mais facilmente sobre o papel. Este efeito de relaxamento prolonga-se por dez minutos após o seu uso.

O produto foi já testado por um grupo de pacientes que apresentaram uma melhoria geral de 86% na qualidade da escrita, e a equipa que desenvolveu a caneta procura agora novos parceiros e patrocinadores para a produzir, estando já a trabalhar em novos produtos que sejam especialmente concebidos para pessoas que apresentem necessidades especiais. #Inovação