Diz-se que o dinheiro não traz felicidade, mas agora sabe-se que pelo menos saúde traz. Especialistas do Urban Institute, nos Estados Unidos, estudaram a relação entre saúde, riqueza e rendimento, para chegar a várias conclusões, algumas mais surpreendentes do que outras. De acordo com a investigação do instituto, que trabalha com a Virginia Commonwealth University, a saúde e o rendimento salarial estão lado a lado, na subida ou na descida. Da mesma forma funcionam a riqueza e a saúde: quanto mais rico, mais saudável se é.

"O rendimento é a força motora por detrás das surpreendentes disparidades na área da saúde que muitas minorias experienciam", diz o estudo liderado por Steven H. Woolf. A conclusão principal, de que quanto maior a riqueza, menores as probabilidades de contrair doenças e morrer prematuramente, transparece em todas as classes sociais. O mesmo acontece quando se observa a hierarquia de classes em cada uma das diferentes etnias, e quem está no topo adoece menos e vive geralmente mais tempo.

Existem diversas variáveis que contribuem para o fenómeno. Por exemplo, pessoas com maiores rendimentos têm provavelmente empregos com menos riscos, podem aceder a melhores serviços de saúde e têm à disposição mais formas de enveredar por um estilo de vida saudável em todas as suas vertentes. Por outro lado, aqueles com menos possibilidades económicas estão sujeitos a empregos mais precários e com maiores riscos, não têm o mesmo acesso a recursos de saúde e não têm geralmente meios para apostar em hábitos saudáveis. Pessoas mais pobres vêm dificultado o acesso a alimentos frescos e a espaços para se exercitarem, estando mais expostos e vulneráveis a locais com elevados índices de poluição, a publicidade relativa a produtos menos saudáveis, como comida rápida e álcool, e a espaços segregados. Tudo isto com a agravante de que, caso vejam a sua saúde debilitada, estão mais sujeitos à precariedade laboral e mesmo ao desemprego, o que reforça o seu ciclo de pobreza e má saúde.

Escapar a este ciclo não é fácil para os mais novos. A educação e os cuidados infantis estão ligados ao sucesso profissional no futuro, mas nem todas as crianças de classes sociais pobres conseguem ser melhor sucedidos do que os seus pais, precisamente por não terem as condições ideais para crescerem de forma saudável. O "stress associado às adversidades financeiras" não foi posto de parte no estudo e mostrou ser indicativo de grandes dificuldades para reverter a situação de pobreza e consequente pior saúde física e mental. "A exposição a condições de vida desfavoráveis e a instabilidade no início da infância, a começar no ventre da mãe, podem ter uma miríade de efeitos negativos na saúde de uma pessoa e no seu futuro económico", alertaram os especialistas. Além disso, as consequências deste cenário, que os especialistas creem não se limitarem apenas aos Estados Unidos, afectam gravemente o futuro dos países.