Apesar de anos de pesquisa não terem permitido encontrar qualquer associação entre a vacina contra o sarampo e o autismo, existe ainda um movimento mundial contra a vacinação infantil, fazendo com que milhares de crianças não sejam vacinadas contra doenças graves. Agora, um novo estudo do Journal of the American Medical Association conclui, mais uma vez, que não há qualquer relação entre a vacina e autismo. O estudo centra-se em créditos de seguros de mais de 95 mil crianças. Algumas dessas crianças tinha um irmão com uma perturbação do espectro do autismo (PEA).

Uma equipa da empresa Lewin Group, liderado por Anjali Jain, realizou um estudo que se focou em 95727 crianças com irmãos mais velhos. Destas crianças, pouco mais de 1% desenvolveram uma PEA e 2% têm um irmão mais velho com uma PEA. Segundo Jain, "há 134 crianças com autismo cujos irmãos também têm autismo. Crianças com irmãos mais velhos que têm autismo são consideradas em risco para também o desenvolver". Este facto pode ter contribuído para os pais se tornarem especialmente cuidadosos quanto à vacinação dos filhos. Por estas razões, Jain diz ser de suma importância olhar para estes irmãos mais novos. Assim, a equipa analisou as taxas de vacinação do sarampo e descobriu que 84% das crianças cujos irmãos não têm uma PEA são vacinados até aos 2 anos de idade e 92% até aos 5 anos de idade. Por outro lado, no caso das crianças que têm irmãos com PEA, apenas 73% foram vacinados até aos 2 anos de idade e 86% foram vacinados até aos 5 anos de idade.

Os investigadores também mediram e compararam o risco relativo de uma perturbação do espetro do autismo para as quase 9600 crianças entre os 2 e aos 5 anos de idade analisadas no estudo, assim como aquelas que foram vacinadas com uma ou as duas doses. A conclusão do estudo foi a seguinte: receber a vacina VASPR não aumentou o risco de as crianças desenvolverem uma perturbação do espetro do autismo, independentemente de terem ou não um irmão com essa mesma perturbação.

Em dezembro de 2014 houve um surto de sarampo nos Estados Unidos, a maior parte por contágio no parque de diversões da Disney na Califórnia. Este surto atingiu maioritariamente indivíduos não vacinados. Existe um grande movimento anti-vacinação, cuja porta-voz parece ser Jenny McCarthy (ex-coelhinha da Playboy), que acusa a vacinação como causa do autismo do seu filho.

Em Portugal parece não haver grande adesão a este movimento. Etelvina Calé, consultora e membro da Comissão Técnica de Vacinação da DGS, refere: "As nossas taxas de cobertura vacinal são de cerca de 97%, valores dos quais nos orgulhamos muito. É das melhores coberturas vacinais da Europa". As escolas e os infantários em Portugal continuam a ter uma grande influência no cumprimento do PNV. Contudo, as autoridades mantêm-se atentas a eventuais casos de não vacinação. "É uma posição muito confortável e quase egoísta não vacinar os filhos numa comunidade onde as taxas de cobertura vacinal da população são superiores a 90%", diz Etelvina Calé, reforçando a necessidade de vacinação de todas as crianças. Em Portugal, a vacina VASPR (vacina anti sarampo, papeira e rubéola) é recomendada pela Direção Geral de Saúde (DGS), assim como pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e administrada no Programa Nacional de Vacinação (PNV). Atualmente recomenda-se a primeira dose desta vacina aos 12 meses e a segunda aos 5-6 anos, antes da escolaridade obrigatória. #Casos Médicos