A notícia está a chocar o Reino Unido. Já acontecia a obrigatoriedade de mulheres estrangeiras pagarem um fiança de £2000 para darem à luz nos hospitais nacionais do Reino Unido, medida que surge como repressão do Governo para controlar o chamado "turismo de saúde". Mas as medidas de acesso à saúde a estrangeiros no Reino Unido ainda se estão a tornar mais apertadas. No início deste mês, entraram em vigor novas regulamentações ainda mais rígidas, que obrigam os estrangeiros a mostrar os seus passaportes, vistos ou comprovativos de residência, incluindo contratos de aluguer de casa ou de contratos de trabalho para receber atendimento gratuito. Sem eles, a consulta será paga.

Os estrangeiros classificados como "residentes habituais" do Reino Unido não têm de pagar. Esta medida serve essencialmente para não residentes do país que utilizam o sistema nacional de saúde para usufruírem, por baixas quantias, de atendimento médico de qualidade. O Governo quer controlar e evitar consultas e tratamento gratuito, indevidamente, a cidadãos estrangeiros não residentes. Quando a medida foi anunciada, em Fevereiro, o Departamento de Saúde afirmou que esta alteração vai ajudar a recuperar cerca de £500 milhões, dinheiro que foi gasto anualmente em tratamento de emigrantes, turistas ou ex-moradores do país.

Por exemplo, com esta medida um parto "normal" numa maternidade agora custará £ 2.188. Mas há mais exemplos. A remoção de uma úlcera no estômago ao longo de dois dias rondará os £1775 e uma operação estética de estreitamento das ancas está taxada a £7826 sobre a tarifa básica do serviço nacional de saúde inglês. Há quem julgue que esta medida possa pôr a saúde dos britânicos a viver um maior risco para doenças infecciosas, incluindo o HIV, porque os imigrantes estão a ser desencorajados a procurar tratamento. Milhares vão deixar de procurar os cuidados que precisam porque temem que isso afecte a sua condição de imigrante ou que os exponha a uma taxa extra de pagamento dos serviços nacionais de saúde.