É usado há mais de 70 anos, e é talvez o fármaco a que mais portugueses recorrem para o alívio de dores e febre, mas recentemente têm surgido novos estudos científicos que vêm chamar a atenção para efeitos até agora desconhecidos deste medicamento. O estudo mais recente, realizado pela Universidade Estadual de Ohio, EUA, acredita que a toma de paracetamol pode levar a uma redução das emoções positivas sentidas. Geoffrey Durso, autor do estudo, afirma que "o uso do paracetamol pode ser visto como um multifacetado apaziguador de emoções".

Este efeito inesperado deve-se ao acetaminofeno, um princípio ativo do paracetamol, que estudos anteriores apontavam já como podendo ajudar a melhorar distúrbios emocionais leves. "A maioria das pessoas provavelmente não está ciente de como as suas emoções podem ser afetadas quando tomam paracetamol", explicou o investigador norte-americano Baldwin Way.

Para além destes estudos que agora vêm a público, no início do ano já investigadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra, tinham alertado para os efeitos do uso prolongado deste popular analgésico. Neste caso, os estudos indicava que os doentes que recorrem a este medicamento diariamente teriam um risco aumentado de morte, para além de estarem a desenvolver problemas renais, intestinais e cardíacos. Esta conclusão baseou-se no estudo de doentes que tomavam paracetamol com prescrição, não incluído, assim, dados relativos às muitas pessoas que adquirem este fármaco sem receita médica.

No entanto, outros cientistas são peremptórios quanto aos benefícios deste fármaco. Amplamente recomendado como o primeiro passo para acabar com várias dores, o paracetamol é tido por muitas pessoas como mais seguro do que aspirina e ibuprofeno. "O paracetamol ainda é o analgésico mais seguro, e este estudo não devia fazer com que as pessoas deixem de tomá-lo", afirma Nick Batman, professor de toxicologia na Universidade de Edimbugo, na Escócia. De acordo com os resultados, as dosagens devem ser as mínimas necessárias. Contudo, Nick Batman afirma que esse é "o senso comum para todos os fármacos".