É dos medicamentos mais utilizados para combater dores, mas está agora comprovado que o seu uso frequente pode reduzir algumas sensações como a alegria. O estudo foi efectuado por médicos da Universidade do Estado de Ohio. A teoria surgiu quando um dos médicos psicólogos da Universidade, Geoffrey Durso, se deu conta de que alguns dos seus alunos e pacientes deixaram de ter reacções alegres ou tristes ao enfrentar coisas tão comuns como um teste surpresa. A grande indiferença demonstrada por alguns levou-o a desconfiar que algo não estaria bem. Após reuniões particulares com cada um deles, concluiu que os alunos menos emotivos estariam a tomar comprimidos paracetamol.

A toma destes comprimidos, pelos mais variados problemas, tais como dores de cabeça, musculares, etc., resultou num efeito comum de falta de emoções. Geffrey Durso conseguiu com o estudo reunir os colegas e efectuar um estudo mais alargado. A cerca de 200 estudantes foi dado ou um comprimido paracetamol de 1000 mg ou um placebo semelhante. Uma hora mais tarde foram-lhes aplicados vários testes. Pediram-lhes que olhassem para uma série de 50 fotografias cuidadosamente escolhidas para desencadearem reacções com grande resposta emocional, como imagens de gatinhos com bebés e crianças subnutridas ou sem-abrigo.

Segundo o jornal "Psychological Science", após conclusão do primeiro teste com fotografias em que os alunos tiveram de as classificar com apenas "negativo ou positivo", foi feito outro com as mesmas imagens em que tiveram de as classificar com uma intensidade emocional. No final o estudo revelou que quem tomou paracetamol reagiu com muito menos intensidade emocional tanto às fotos "alegres" como às "tristes". A explicação dada pelos especialistas é que o bloqueio da dor origina o bloqueio das principais emoções no cérebro. E isso constitui uma situação que pode desencadear várias doenças do foro psicológico, como a depressão.

O estudo vai prosseguir com análise de outros analgésicos, principalmente a aspirina e o ibuprofeno.