Como verificámos no artigo sobre os mitos da meditação que nos surgem como bloqueadores da experiência em si, não existem regras para a meditação – embora algumas filosofias sejam mais rígidas nas orientações para meditar – e não há certo e errado. O facto de se estar preocupado com certas regras acaba por ser um contra-senso para o processo em si, podendo estar a criar-se resistência para a verdadeira experiência de meditação, para aquele período, ínfimo ou prolongado em que se consegue abstrair do mundo exterior e ficar mais próximo de um sentimento de paz e tranquilidade.

Não é estranho ouvir relatos de pessoas que conseguiram entrar em profundos estados de meditação no meio de concertos, no meio de multidões ou nos transportes públicos, em hora de ponta. Mais uma vez se reforça, não é esta uma indicação de sucesso, apenas uma prova de que qualquer coisa pode ser o caminho para meditar de forma proveitosa. É provável que as ditas orientações atrás mencionadas sejam bons começos, mas não deve ser colocada sobre elas (e sobre o sujeito que está prestes a meditar) a pressão de segui-las à risca.

Posto isto, vamos pegar nessas indicações mais comuns para ter uma prática bem sucedida de meditação. Para começar, e esta sim, é uma regra global para qualquer abordagem, é necessário relaxar. Não prestar atenção unicamente à tensão e actividade mental, mas também à tensão física, mesmo que involuntária ou quase a um nível inconsciente. Para as pessoas com um estilo de vida sedentário ou com um estilo de vida com elevados níveis de stress (ou seja, grande parte da população que habita em centros urbanos e arredores), isto pode acontecer sem mesmo se dar conta. É importante ter um forte contacto com o próprio corpo, para que se possa sentir e identificar os focos de tensão no próprio corpo e tentar eliminá-los. Depois de adquirir alguma experiência neste costume, será mais fácil atingir o ponto de relaxamento ideal para iniciar a prática.

A posição mais simples muitas vezes também é a mais criticada, não sem algum fundamento razão, no entanto, para o início da prática poderá revelar-se indicada. Consiste no indivíduo deitar-se de costas no chão (com algo para baixo para não ser tão desconfortável) ou numa cama, de braços estendidos ao longo do corpo, com as palmas para cima, pernas relaxadas e abertas. Esta posição normalmente não é recomendada porque poderá levar a que se adormeça e apesar do relaxamento seja o que se pretende, também se pretende que se mantenha consciência durante todo o processo.

Além do foco nas tensões físicas, também é necessário concentrar-se na respiração, respirando de forma suave mas profunda e iniciar um processo de relaxamento consciente e de forma sistemática cada parte do corpo, dos pés à cabeça até se se sentir completamente descontraído e relaxado.

Estas indicações, mais uma vez se reforça, são apenas guias gerais cujo objectivo é o relaxamento físico para que não existam interrupções no processo causadas por tensões físicas. Qualquer outra técnica que tenha em vista o mesmo objectivo é igualmente válida. Em breve, vamos analisar as principais posturas de meditação. #Vida Saudável