Do período que se seguiu após a Segunda Guerra Mundial até aos dias de hoje, foi possível assistir a um crescimento exponencial da indústria química, de tal forma que, hoje em dia, é praticamente impossível fugir aos químicos. Eles estão omnipresentes nas nossas vidas, na maior parte das vezes sem o nosso próprio conhecimento. As leis que temos, tanto no nosso país, como no resto do mundo, cada uma com as suas especificidades, permite às empresas que continuem a utilizá-los sem restrições e sem se ter, pelo menos para grande parte deles, uma verdadeira noção do seu impacto no meio ambiente e no ser humano. Essas mesmas consequências poderão ser descobertas apenas mais tarde, às custas de gerações futuras através de doenças ou outras deficiências/problemas de saúde.

O documentário "Our Chemical Lives" (em português, "As Nossas Vidas Químicas") expõe estes perigos e apela a uma maior atenção por parte tanto das agências reguladoras, assim como do público adormecido. A premissa que diz que os químicos são seguros até prova em contrário é perigosa de mais para que se possa continuar a ficar indiferente. Segundo Bruce Lanphear, professor da Faculdade de Ciências da Saúde, na Universidade Simon Fraser, na Columbia Britânica, no Canadá, essa indiferença e ineficácia tem como resultado prático testar nas gerações futuras o impacto de cada novo químico que é lançado para o mercado.

O documentário mostra os efeitos nocivos da exposição química que começa no útero e passa directamente da mãe para o feto. Foi demonstrado que alguns destes químicos alteraram o sistema endócrino e causaram danos permanentes em muitas das estruturas e funções mais vitais do corpo humano. Desde desequilíbrios hormonais, que podem despoletar a puberdade aos nove anos, até ao comprometimento das áreas do cérebro responsáveis pela capacidade de aprendizagem e controlo de impulsos, sem esquecer os riscos elevados de desenvolver certos cancros.

Até que ponto estes químicos perigosos estão presentes na nossa vida? Eles podem estar presentes em infindáveis produtos que ingerimos e usamos de forma diária, desde materiais usados nos aparelhos electrónicos até às embalagens de plástico que, com a sua degradação, expele os seus conteúdos para as nossas bebidas e comida. Apesar da dificuldade em fugir a um mundo cheio de químicos, existem algumas opções disponíveis para tentar evitá-los, como comer comida biológica (para quem conseguir suportar os custos) ou lavar muito bem os alimentos e manter a casa limpa para não ter de usar pesticidas.

Recentemente, Thu Quach, do Instituto para a Prevenção do Cancro, da Universidade de Sanford, escreveu um artigo onde explica que os químicos que os vernizes usados nos salões de beleza contêm são extremamente perigosos, potenciais causadores de cancros, desequilibradores hormonais, causam irritações na pele, na vista, náuseas, problemas respiratórios e problemas na gravidez. Um pequeno exemplo de como é necessário haver uma maior regulamentação por parte das autoridades governamentais e científicas. Como estes casos, temos muitos mais, infelizmente. A consciencialização deste perigo deve ser fomentada para que não seja tarde de mais para todos nós. #Vida Saudável