Uma equipa de investigadores pode ter dado um grande passo para a cura do #Cancro do pâncreas. Um estudo pode ter encontrado uma forma de detectar a doença precocemente. Este é um dos tumores mais letais, muito devido ao facto de ser "silencioso", sendo detectado tarde demais. Na grande maioria dos casos, quando a doença no pâncreas é detectada, já não há tratamento eficaz e está espalhada a outros órgãos.

A cientista portuguesa Sónia Melo é a autora principal do estudo publicado ontem (24 de Junho) na revista Nature. O cancro do pâncreas deixa uma "assinatura biológica" no sangue dos doentes, que pode ser descoberta nos pacientes muito antes do cancro ser detectável pelos métodos actualmente existentes. Trata-se de uma proteína específica que reside em pequenas vesículas (exossomas) que costumam circular no sangue.

Os autores do estudo acreditam que se pode "conhecer a carga cancerosa de um doente" verificando as propriedades dos seus exossomas, onde ficam as proteínas em excesso da qual as células humanas se livram de tempos a tempos. Ora, a proteína GPC1 só marca presença à superfície dos exossomas nos doentes com cancro do pâncreas, não estando presente nas restantes.

Ensaio difícil mas fiável

Os ensaios clínicos do estudo foram feitos a pacientes em estado avançado de cancro no pâncreas por comparação a um grupo de pessoas saudáveis ou com tumores benignos no órgão. Se nas primeiras, a proteína GPC1 marcou sempre presença, nas segundas nunca se verificou a sua presença. E os doentes num estágio mais precoce da doença também revelaram a existência de GPC1 nos exossomas.

Embora possa só ser preciso analisar entre três e quatro gotas de sangue, o teste não é simples e pode ser difícil realizar os exames aos exossomas com uma rotina nos laboratórios de análises clínicas. Certo é que há sinais de fiabilidade, nomeadamente através dos testes efectuados em ratinhos.

"Santo graal da medicina oncológica"

A confirmarem-se as conclusões - muito preliminares - deste estudo, poderá estar para breve a chegada de um novo teste de diagnóstico do cancro do pâncreas. Este poderá ser uma forma de salvar muitas vidas, pelo que Alastair Watson (Universidade de East Anglia) afirma mesmo que podemos estar perante o "santo graal da medicina oncológica".