A forma como o Reiki se tem espalhado nas últimas décadas está forçosamente ligada com uma lacuna criada com o desenvolvimento das nossas sociedades de consumo e individualistas. Essa lacuna é a crescente desconectividade do ser humano consigo próprio, com os seus semelhantes e com a natureza, onde cada vez é dado mais valor ao que é supérfluo e material, negligenciando as suas próprias necessidades imperativas. O Reiki acaba por surgir na vida de muitas pessoas, primeiro como pacientes, depois como terapeutas (e por terapeutas não se deve entender forçosamente uma pessoa que trata os outros, mas também uma pessoa que usa o Reiki como auto-cura, afinal, como poderá o terapeuta tratar dos outros se não cuidar de si próprio) como uma forma consciente de colmatar essa lacuna.

As principais consequências do nosso modo de vida são doenças como stress, ansiedade, depressão, envenenamento por psicotrópicos como forma de compensação de carências emocionais, questões a que é quase impossível fugir, dado que vivemos num mundo em constante ameaça, cercado por notícias pessimistas, pela sombra negra da crise, pela precariedade do emprego e pelo próprio stress causado pelo emprego. Ainda recentemente a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no trabalho concluiu, num estudo realizado em 31 países da Europa, que o índice de stress no trabalho em Portugal é de 59%, números que não deixam de impressionar.

Aquilo que o Reiki promove pode ser mal interpretado por muitos daqueles que desconhecem as suas potencialidades. Não se trata de um remédio milagroso que tira/mascara a dor, nem tem contra-indicações a ter em consideração. A sua principal potencialidade é o aumento da capacidade de auto-cura e o auto-conhecimento que promove, através do relaxamento e redução de stress. O principal problema dos indivíduos que sofrem de stress é a incapacidade de se manterem em silêncio e de relaxarem, vivendo num estado constante de alerta. Isto já é de tal forma intuitivo no cidadão comum que para contrariar este tipo de comportamento é necessário um reaprender a estar e a viver, já que são condições que surgem desde muito cedo. A auto-cura também leva automaticamente a que seja o início para a cura de sintomas de depressão e esgotamento nervoso antes que seja tarde demais.

Outra das grandes potencialidades é a forma como pode ser usado para aliviar ou até mesmo eliminar os efeitos secundários de fármacos, sendo inclusive usado em alguns hospitais, em conjugação com a quimioterapia. Também potencia os efeitos benéficos dos fármacos quando estes não estão a ter o efeito desejado no paciente, além de acelerar a eliminação das toxinas que são deixadas no organismo pelos medicamentos. Para tudo isto, seja o tratamento de auto-cura seja dado por outra pessoa, a única coisa necessária, além dos conhecimentos necessários, claro, é a real intenção de curar, baseado no amor pelo próprio e amor pelo seu semelhante. Actualmente tal poderá ser mais complicado do que parece, já que é comum serem arranjadas desculpas para não se fazer o tratamento, para adiá-lo constantemente, porque a mudança, ou a ideia de mudança, acaba por ser temida e tal como qualquer sintoma de depressão, há um certo acomodar à apatia, mesmo que esta apatia seja consumidora do próprio ser.
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