Foi proposto pelo director da Associação para o Planeamento da Família (APF), Duarte Vilar, que até ao final do ano se realizem interrupções de gravidez (IG) através de medicamentos nos centros de saúde de algumas zonas do país, como por exemplo o Alentejo, que só possui um hospital com esse serviço. A região dos Açores e Alentejo são as áreas mais afectadas pela ausência de serviços de interrupção de gravidez. Duarte Vilar diz que é fundamental, perante a situação apresentada, que "os serviços públicos e privados passem a oferecer serviços de gravidez onde não há". De acordo com a TSF, o coordenador da Saúde Materna da ARS Norte, Paulo Sarmento, afirma que mais de 90% das interrupções de gravidez feitas nos hospitais, quer em Portugal, quer no estrangeiro, são realizadas medicamentosamente.

O relatório confirma que, mesmo em anos anteriores, se verificou que várias utentes tiveram de viajar quilómetros para se conseguirem deslocar às regiões que dispunham deste serviço. Confirma também a diminuição do número de IG desde o ano 2012,o que prova mais responsabilidade e o maior uso de contraceptivos em Portugal, visto que em 2011 se realizaram cerca de 16.589 mil abortos.

Segundo a TVI24, 71.06% das mulheres nunca tinham abortado, 21.90% já teriam realizado um aborto, 5.11% teriam feito dois e 1.93% teriam feito três ou mais abortos ao longo de sua vida. Entre as mulheres que recorreram ao serviço de interrupção de gravidez, 41.14% não tinha filhos, 29.45% tinham um e 21.78% tinham dois.

Consta que as utentes que recorrem ao aborto são em maioria mulheres com idades entre os 20 e os 24 anos, seguidamente das que têm entre 30 e 34 anos. Nas jovens abaixo dos 20 anos de idade, o número de casos de interrupção de gravidez tem vindo a diminuir.

Paulo Sarmento explica que para a realização de uma IG, a mulher deverá marcar consulta no centro de saúde, sendo-lhe aí sugeridos três dias para reflectir sobre o assunto e ter apoio psicológico se assim o solicitar. Ao passar esse tempo, se a utente quiser prosseguir com a IG, é-lhe administrada a medicação. Passados dois dias, a mulher volta ao centro de saúde para complementar essa medicação e quinze dias depois terá nova consulta para verificar se tudo correu bem. #Casos Médicos