Ao longo do verão é comum vermos pessoas à beira-mar a apanhar cadelinhas. Ainda que seja um petisco muito apreciado em Portugal, tanto a cadelinha como outros bivalves podem ser bastante prejudiciais à saúde. A intoxicação por toxinas presentes em bivalves pode provocar diarreia, vómitos e até amnésia. Saiba como se prevenir e evitar os perigos destas iguarias.

Periodicamente o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emite um comunicado onde revela as zonas interditas à apanha de bivalves e as zonas sem qualquer tipo de interdição, consoante o resultado da monitorização dos níveis de biotoxinas em bivalves e do resultado da análise de imagens de satélite e de modelação hidrodinâmica. Antes de iniciar a captura de bivalves para os consumir é conveniente confirmar no site do IPMA se existe alguma interdição.

De acordo com a informação divulgada pela Direção Geral de Saúde, os bivalves alimentam-se por filtragem e podem ficar contaminados se ingerirem algas com toxinas. Sempre que ocorre o fenómeno da maré vermelha, ou seja, uma grande aglomeração de algas, aumenta também a probabilidade de contaminação de bivalves como os mexilhões, ameijoas, cadelinhas e vieiras.

Entre os principais perigos associados ao consumo de bivalves, destacam-se a intoxicação por toxinas diarreicas, por toxinas amnésicas e por toxinas paralisantes. A intoxicação por toxinas diarreicas (DSP) pode provocar diarreia, náuseas, vómitos, dores abdominais e normalmente a recuperação ocorre em pouco tempo. O envenenamento por toxinas paralisantes (PSP) é bastante frequente e pode ser fatal. Poucos minutos depois da sua ingestão aparecem os primeiros sintomas: dormência nos lábios e língua que, após poucas horas, se alastra para as restantes partes do corpo. No que respeita à intoxicação por toxinas amnésicas (ASP), pode também ser fatal e os seus sintomas clínicos começam a aparecer nas 24 horas seguintes à sua ingestão. Entre os principais sintomas estão a perda de equilíbrio, náuseas ligeiras, vómitos, confusão e perdas de memória permanentes. De salientar que as toxinas não podem ser cheiradas nem são visualmente detectadas. Pelo facto de serem resistentes ao calor a sua cozedura durante a confeção do bivalve não é suficiente para as destruir. #Casos Médicos #Alimentação