Não gosta da sua cor de olhos? Sempre sonhou com uns idílicos olhos azuis ou verdes? A verdade é que já é possível alterar algo tão natural como o tom dos seus olhos mas não em Portugal. Segundo um alerta deixado recentemente pela Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, o número de pessoas que recorre a cirurgia para mudar a cor dos olhos tem aumentado de forma bastante expressiva no estrangeiro, especialmente no Brasil. Maria João Quadrado, Presidente da SPO, vai mais longe, alertando para o facto de programas televisivos da América do Sul proliferarem esta tendência, falando de forma “leviana” e tornando o processo fácil quando na verdade tem um sem número de complicações associadas.

No nosso país estes procedimentos não estão aprovados e importa, aliás, salvaguardar a saúde de todos, informando os potenciais interessados acerca dos riscos associados a esta intervenção cirúrgica. Falamos de consequências tão graves como a cegueira. Foi juntamente com o oftalmologista Miguel Araújo que a Blasting News procurou conhecer melhor um fenómeno que pode ser apetecível mas perigoso.

O aumento exponencial da procura deste tipo de intervenção cirúrgica no estrangeiro deve ser encarado como algo preocupante uma vez que “este procedimento na fase actual está associado a complicações oculares graves que podem comprometer a função visual de forma crónica e irreversível”, alertou o médico.

Estamos a falar de dois tipos de procedimentos específicos: os implantes de íris artificiais e a despigmentação da íris por laser. O primeiro “para mudança da cor dos olhos não está aprovado em Portugal nem na maioria dos países desenvolvidos devido à alta taxa de complicações”, esclareceu Miguel Araújo. Recorde-se que em 2012 o Journal of Cataract & Refractive Surgery publicou um estudo que concluiu que o transplante intra-ocular pode trazer danos irreversíveis à visão. Este procedimento foi realizado em sete pacientes e todos acabaram por retirar os implantes nos dois olhos, aumentando assim o risco de lesões e, nestes casos, foram observadas algumas complicações como cataratas, redução da qualidade visual, hemorragias, inflamações oculares, lesões na córnea ou glaucomas, uma das causas mais frequentes de cegueira no mundo.

Relativamente ao segundo procedimento possível, a despigmentação da íris por laser, de acordo com o oftalmologista, “há um ensaio a decorrer para avaliar a eficácia e segurança e, caso a mesma se venha a demonstrar, poderá vir a ser uma opção”, referiu. Mas por enquanto, segundo Miguel Araújo, estes processos deverão continuar não aprovados em Portugal.

Perigo da informação na internet

Miguel Araújo acredita que deverá haver uma maior aposta na informação que se passa para os doentes uma vez que o que existe na internet “nem sempre apresenta rigor científico e, por isso, todos os meios que permitam transmitir conhecimentos com o objectivo de promover a saúde são importantes”.

Enquanto oftalmologista, Miguel Araújo já se deparou com doentes que não escondem o seu desejo de mudar a cor dos seus olhos. Nos pacientes com Heterocromia ocular, ou seja, com um olho de cada cor, esta vontade é ainda mais notória e, nestas situações, “o motivo é compreensível”, destacou o médico.

Por outro lado, há ainda uma “pequena percentagem de pessoas que deseja alterar a cor dos olhos apenas por fins estéticos, uns de forma sazonal e temporária, outros de forma mais continuada por se sentirem melhor com essa nova imagem”, salientou. Perante estas situações, Miguel Araújo opta por dizer que “as lentes de contacto coloridas são, actualmente, para quem tolera, e a maioria tolera, a solução mais segura”. E aqui os olhos azuis vencem. “É uma cor natural pouco frequente, que destaca os olhos e faz a pessoa sobressair entre outras”, concluiu o oftalmologista da Fluivisão.

Assim, caso não esteja satisfeito com a sua cor de olhos, opte por soluções seguras para a saúde da sua visão. Em busca, quem sabe, da cor dos seus sonhos, não corra riscos, não caia em modas e informe-se. #Casos Médicos #Vida Saudável