As lentes de contacto coloridas realçam a sua cor natural ou mudam por completo o tom dos seus olhos. Os cuidados a ter com este tipo de produto de cariz estético são os mesmos a adoptar com qualquer outro tipo de lente de contacto, sendo variável de acordo com o material e com o sistema de substituição da mesma.

A Blasting News entrou em contacto com a Eugénio Oculista, conversou com Raquel Sequeira, Licenciada em Optometria e Ciências da Visão pela Universidade do Minho e conheceu a tendência, os cuidados e os riscos associados ao uso deste tipo de produto.

O desejo de mudar a cor dos seus olhos está presente e Raquel Sequeira já se deparou com algumas situações, sobretudo quando se fala de adolescentes, um público especialmente susceptível que dá “muito valor à imagem e àquilo que os outros pensam deles”, partilhou a especialista, acrescentando: “as motivações são apenas estéticas, definidas pela sociedade em que vivemos e que constantemente nos incute a ideia de que os olhos azuis são mais bonitos do que os castanhos, de que o cabelo louro é mais bonito que o preto, de que umas pernas magrinhas são mais bonitas do que umas pernas bem constituídas”.

Apesar de não serem tão “apaixonantes”, Raquel Sequeira salienta, aliás, as vantagens associadas aos olhos castanhos que outrora Francisco José cantava terem “encantos tamanhos”. “Possuem mais melanina, pigmento que os protege da radiação solar, sendo menos fotossensíveis que os azuis”, explicou. Mas com a pressão exercida pela sociedade, a imagem torna-se fulcral e, por muito que se tente, torna-se complicado ficar alheado deste estereótipo de perfeição. “É este o motivo que leva muitas pessoas a alterarem o seu corpo de modo a cumprirem os padrões de beleza que a sociedade actual definiu”, defendeu Raquel Sequeira.

Assim, para mudar a sua cor dos olhos, as lentes de contacto podem ser uma opção viável. Todavia, em tempos de crise, na Eugénio Oculista verificou-se que a procura deste tipo de produto também retraiu.

“Em todas as situações de cirurgia estética é importante informar”

Quer seja numa cirurgia para alterar a cor dos olhos como para qualquer outro acto cirúrgico de distinta natureza, importa informar o doente da melhor forma possível, colocando no centro dessa conversa os riscos inerentes à mesma para que ele possa, conscientemente, tomar as suas decisões. “No caso de cirurgias oculares, os riscos e as consequências associadas a um procedimento mal sucedido tomam proporções diferentes daqueles associados a qualquer outra cirurgia estética. Dos cinco órgãos dos sentidos que possuímos, a visão é o mais complexo e também o mais frágil, sendo que a perda da mesma produz um grande grau de incapacidade”, destacou Raquel Sequeira em conversa com a Blasting News.

Com este aumento exponencial da procura destas cirurgias no estrangeiro, Raquel Sequeira destaca o facto de sair do país ser hoje bem mais fácil do que no passado. Deixando de haver barreiras físicas, persistem, no entanto, as distâncias linguísticas e culturais. “Ao recorrer a uma cirurgia num país com uma língua diferente da que usualmente falamos, poderemos estar a perder informação vital a uma tomada de decisão consciente”, salientou. Isto sim preocupa-a enquanto profissional. Quem recorre a este tipo de procedimento valoriza sobretudo o resultado final e, no caminho para lá chegar, não se preocupa com as contra-indicações e com os perigos associados. Importa, por isso, fazer “uma análise correcta das motivações que levam à procura deste tipo de cirurgia” e “fornecer mais e melhor informação”, concluiu. #Casos Médicos #Vida Saudável