Um estudo realizado pela União das Misericórdias Portuguesas revelou que 9 em cada 10 idosos que vivem em lares sofrem de alterações no seu estado mental que sugerem demência. Este estudo, que está integrado no projecto Valorização e Inovação em Demências (VIDAS), foi realizado após uma investigação que durou cerca de 2 anos. Do estudo fizeram parte 1503 idosos que pertencem a 23 instituições. Esta amostra de idosos foi avaliada por neurologistas e psicólogos, de modo a que os exames revelassem se os idosos sofriam ou não de demência e em que estado se encontrava a doença, visto que muitas vezes a demência não é reconhecida.

O resultado final mostrou que 90% das pessoas que vivem em lares tem alterações cognitivas que podem sugerir demência, sendo que verificou que 78% dos idosos sofrem de demência.

Este estudo também mostrou que uma pequena percentagem (3%) das pessoas que vivem em lares não tem qualquer alteração mental e que 8% apresentam alterações, no entanto não sofrem de demência.

Numa primeira fase, os responsáveis pelo estudo dividiram os idosos em 4 grupos: os que tinham e não tinham alterações cognitivas e os que sofriam ou não de demência, explicou o coordenador do estudo à agência Lusa.

Se não se tivesse realizado este estudo, os idosos que residem em lares e fizeram parte da experiência não saberiam se sofrem ou não da doença, visto que 70% dos idosos nunca tinham realizado testes para confirmar se sofrem de alterações cognitivas. A verdade é que os directores técnicos e os responsáveis que tratam dos idosos não têm conseguido identificar o grau da doença. 

O coordenador do estudo, Caldas Almeida, apontou que "existe um número muito importante de pessoas com demências nos lares e um número importante de pessoas com demência em que essa demência não é reconhecida" devido à falta de exames neurológicos e psicológicos. 

Deparando-se com o resultado final do estudo, o psiquiatra afirmou que é preciso preparar melhor as estruturas dos lares que recebem mais os velhos, visto que os números excederam as expectativas iniciais em relação ao estudo.  #Casos Médicos