O culto da imagem faz parte do quotidiano da nossa sociedade actual. Ser magra. Ser bonita. Ter um sorriso perfeito. São ambições que, mesmo que inconscientemente, todos almejam. Mas será que caímos no exagero? Será que a busca pela imagem perfeita, que é muitas vezes propagandeada na televisão ou nas revistas, é tão cega ao ponto de se colocar em causa a própria saúde?

Angelina Jolie é famosa, rica, linda e aparenta ter uma família perfeita. Mas a extrema magreza da Embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados tem estado envolta em alguma polémica. Existirá alguma relação entre a extrema exposição mediática e o desenvolvimento de um qualquer distúrbio alimentar?

Conversamos com Ana Teresa Silvestre, especialista em consultoria de imagem, acerca desta aparente pressão face à imagem que as figuras públicas procuram transmitir. Em primeiro lugar, “seja figura pública ou não, alguém que sinta que tem essa grande preocupação com a imagem e que pode acabar por desenvolver relações mais complicadas com a comida, é sempre importante pedir ajuda”, realçou. Reconhecer que se precisa de ajuda não é, no entanto, uma função fácil e, por isso, Ana Teresa Silvestre acredita que apostar no auto-conhecimento e no fortalecimento da auto-estima e auto-confiança por defeito é fundamental. “É importante não sermos demasiado auto-críticas e exigentes connosco e aprendermos a sermos mais gentis connosco mesmas porque, sem dúvida, somos o nosso maior inimigo e é muito importante nutrirmos, sim, o nosso amor-próprio”, defendeu a especialista.

A consultoria de imagem está a expandir-se cada vez mais e é hoje uma opção para muitas pessoas. Este é cada vez mais um caminho para se alcançar aquela imagem que mais se enquadra connosco, com as nossas vivências e com a nossa personalidade. Pela experiência de Ana Teresa Silvestre, as suas clientes e alunas procuram ajuda com o objectivo, acima de tudo, de “encontrarem um estilo que lhes pareça mais autêntico e que vá ao encontro da sua verdadeira personalidade, que as identifique de forma mais adequada, que lhes dê confiança para estarem na sua própria pele”, partilhou. Contudo, as referências que nos entram diariamente em casa pela televisão continuam a pesar. A verdade é que, embora em minoria, “há quem tenha um símbolo do estilo ou postura que gostariam de alcançar, seja sim, uma figura pública ou até alguém do seu círculo pessoal”, realçou.

“A perfeição continua a ser um objectivo em mente”

Em Portugal, os hospitais estão a receber mais doentes com anorexia, seja enquanto patologia do foro psiquiátrico (anorexia nervosa), seja quando este problema está associado a outros problemas de saúde. A sociedade é a principal inimiga destes doentes? Vivemos num círculo de tal modo vicioso que quem não tenha uma imagem dita perfeita é imediatamente excluído? Para Ana Teresa Silvestre, o culto da imagem sempre existiu mas hoje “a disseminação das imagens de ideais de #Beleza é ampliada por todas as redes sociais (…) ”, defendeu, acrescentando: “cada indivíduo, hoje em dia, sente que tem uma voz e um canal em qualquer rede social onde pode comunicar-se e cada vez mais é um acto que pede para dar a cara”.

Todavia, as noções de beleza conhecem hoje outros contornos, o que para a especialista é um bom sinal. “Há uma maior disseminação de imagens com uma maior variedade de tipos de corpo, mostrando que, independentemente do tamanho, podemos estar sempre bem, bonitas e sentirmo-nos bem na nossa pele”. E por isso deixa uma mensagem aos que estão a passar por um distúrbio alimentar: “anorexia e a bulimia são doenças de comportamento alimentar com origem mental, por isso, é mesmo muito importante ter a ajuda especializada”. Importa ainda deixar o perfeccionismo de lado porque cada um é suficientemente bom à sua maneira. “A aceitação é sempre o primeiro e mais difícil passo para melhorarmos tudo na nossa vida (...) O espaço para uma melhoria saudável é sempre mais fácil depois da aceitação”. #Casos Médicos #Blasting News Portugal