Um estudo populacional, de grandes proporções, com mais de 3,2 milhões de indivíduos, veio mostrar que, em comparação com o celibato, o casamento está associado a uma redução de aproximadamente 60% a 70% relativamente aos problemas com álcool.

Este estudo veio comprovar, como muitos outros, a nível da saúde do indivíduo, as vantagens do casamento sobre o celibato. Curiosamente, os investigadores verificaram, inclusive, que esse efeito protetor é ainda maior entre os indivíduos com uma história significativa de alcoolismo.

Embora se trate de um estudo populacional e as suas conclusões não possam estabelecer um nexo de causalidade irrefutável, a verdade é que, segundo o investigador principal, Dr. Kenneth Kendler, médico e professor de psiquiatria e genética molecular e humana da Virginia Commonwealth University School of Medicine, em Richmond, EUA, o tamanho da amostra, com mais de 3,2 milhões de indivíduos, bem como o rigor da investigação, apontam fortemente para a existência de um efeito protetor direto do casamento sobre o risco alcoolismo.

Não é a primeira vez que se realizaram estudos tentando provar a relação entre uma melhor saúde dos indivíduos casados contra os não casados. No entanto, a robustez deste estudo ajuda a confirmar a relação entre o estado civil e a proteção contra o alcoolismo.

É preciso agora compreender os processos causais subjacentes a esta relação de proteção, para se ter uma melhor noção da etiologia ou causa deste transtorno, estabelecendo assim também estratégias.

Para tentarem compreender a relação entre o primeiro casamento e o possível risco de problemas com o álcool, os investigadores utilizaram dados de registos suecos, contendo 3.220.628 indivíduos, nascidos entre 1960 e 1990. No total, 72.252 indivíduos preencheram os critérios de transtorno decorrentes do uso de álcool. 

A prevalência de alcoolismo foi de 3,3% entre o sexo masculino e 1,1% entre o sexo feminino. Os resultados também mostraram a influência familiar. Metade das pessoas com transtorno de alcoolismo tinham um ou mais parentes próximos, com o mesmo problema.

Foram controlados, no estudo, vários fatores, como status socioeconómico, comportamento criminal juvenil ou uso de drogas e história familiar.

Os resultados mostraram que o primeiro casamento foi associado a um risco significativamente menor do transtorno de alcoolismo entre os homens, de 0,41 de risco relativo e de 0,27 de risco relativo entre as mulheres.

Saliente-se ainda, para terminar, que esse efeito protetor do casamento é bastante maior para aqueles com alto risco familiar de alcoolismo. #Casos Médicos