Um estudo demonstrou que grande parte dos antidepressivos são ineficazes no tratamento de crianças. O investigador principal deste estudo foi o Dr. Cipriani, professor associado do departamento de Psiquiatria da Universidade de Oxford, Reino Unido.

Para avaliar as diferentes moléculas antidepressivas e fazer o seu ranking conjuntamente com o placebo, os investigadores conduziram uma meta-análise (nível de evidência muito alto em farmacoepidemiologia, ou seja, na avaliação de moléculas usadas em medicamentos).

159 indivíduos participaram no estudo, sendo que a sua idade média foi de 13,6 anos. A duração média dos tratamentos agudos foi de 8 semanas. Cerca de 65% dos ensaios foram apoiados por companhias farmacêuticas.

O que se pretendeu verificar foi a variação dos sintomas depressivos, bem como o número de indivíduos que tiveram que descontinuar o estudo, devido a reações adversas aos tratamentos. Os resultados demonstraram que, em termos de eficácia, apenas a fluoxetina foi melhor que o placebo.

A nortriptilina teve resultados significativamente inferiores, quer quando comparada com os outros antidepressivos, quer quando comparada com o placebo.

Em termos de tolerância, a fluoxetina foi também superior à duloxetina bem como à imipramina. O citalopram e a paroxetina apresentam tolerância superior à imipramina isolada. A imipramina é menos tolerada que o placebo, assim como a venlafaxina e a duloxetina.

Embora este estudo não tenha sido desenhado para avaliar o risco de suicídio para todas as moléculas utiizadas, a verdade é que parece existir alguma evidência robusta com o uso de venlafaxina.

A meta-análise conclui assim que a fluoxetina, em termos de eficácia e tolerância, situa-se na melhor posição do ranking, sendo que a nortriptilina é a menos eficaz e a imipramina a menos tolerável.

O transtorno depressivo maior é um problema grave entre as crianças e os adolescentes.

A terapêutica farmacológica, ou seja, com medicamentos, é uma das ferramentas disponíveis para ajudar estes jovens, mas não deve ser a única abordagem numa doença tão multifatorial. Terapêuticas psicológicas podem e devem ser abordadas em conjunto com a terapêutica com medicamentos.

Este estudo veio assim confirmar a importância da fluoxetina na abordagem farmacológica baseada na evidência, para este grupo populacional tão específico e critico.  #Casos Médicos