O vegetarianismo e o veganismo são assuntos muito em voga atualmente e sobre o qual existe demasiada informação, nem sempre bem fundamentada. Dando respostas a perguntas frequentes, exploram-se estes temas, com base nas “Linhas de orientação para uma #Alimentação vegetariana saudável”, da Direção Geral de Saúde.

Não como carne nem peixe. Sou vegetariano?

Não. Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, vegetariano é “quem é partidário da alimentação exclusivamente vegetal” , o que exclui todos os alimentos de origem animal – carne, peixe, ovos, lacticínios, mel e derivados. Este termo não inclui os regimes ovolactovegetariano – exclui carne e peixe, permite ovos e leite; ovovegetariano e lactovegetariano.

O que é ser vegano?

Ser vegano (do inglês: #Vegan) vai para lá da alimentação. Implica um estilo de vida que exclui todas as formas de exploração animal. São exemplo a utilização de animais para a alimentação, vestuário, adornos (pérolas, plumas, penas, marfim, etc), testes de produtos de higiene e cosmética, ou para fins de entretenimento (touradas, circos, jardins zoológicos).

Resumindo: ser vegano é seguir um estilo de vida; ser vegetariano é seguir um regime alimentar. Um vegano é vegetariano, mas um vegetariano não é necessariamente vegano.

Será saudável não comer nenhum produto de origem animal?

Neste momento, a evidência científica aponta que uma alimentação exclusivamente vegetariana é tão ou mais protetora da saúde humana que os outros padrões alimentares. É a opinião da Direção Geral de Saúde, que em 2015 publicou as “Linhas de orientação para uma alimentação vegetariana saudável” com o objetivo de desmistificar, junto dos os profissionais de saúde, a alimentação exclusivamente vegetariana.

Dado o sucesso desta edição, foi lançada em 2016 uma outra publicação: “Alimentação vegetariana em idade escolar”. Ambas podem ser consultadas online. Estes documentos comprovam também que uma alimentação exclusivamente vegetariana, quando bem planeada, pode preencher todas as necessidades nutricionais de uma pessoa e pode ser adaptada a todas as fases do ciclo de vida - gravidez, lactação, infância, adolescência, idosos – bem como para atletas.

Por que é que as pessoas se tornam vegetarianas?

Sustentabilidade, saúde e direitos dos animais são os três motivos principais que levam as pessoas a adoptarem uma alimentação vegetariana.

Se quiser ser vegetariano, que cuidados devo ter?

Existem oito nutrientes a ter em atenção ao seguir um regime vegetariano: proteínas, ómega-3, ferro, cálcio, zinco, vitamina B12 e vitamina D e iodo. Para suprir as necessidades diárias destes nutrientes, recomenda-se o consumo frequente de alguns “alimentos chave”: leguminosas, frutos gordos, sementes, cereais integrais, hortícolas verdes escuros .

Para evitar carências em vitamina B12 e vitamina D, deve procurar-se o consumo de alimentos fortificados (cereais de pequeno-almoço, bebidas vegetais) e ponderar-se a sua suplementação: 5-10 μg/dia em ambos os casos. 

A carência de iodo é facilmente evitada pela utilização de sal iodado.

A possibilidade de um consumo insuficiente de proteínas é algo que desincentiva frequentemente o seguimento de uma dieta vegetariana. É errado pensar que algum alimento não processado de origem vegetal tenha tantas proteínas como a carne, peixe ou ovo. Tomemos como exemplo uma refeição de alguém sem restrições alimentares: um bife de frango com arroz branco e salada mista. Onde está a maioria das proteínas ingeridas? No frango. E agora uma refeição vegetariana: legumes salteados com arroz de feijão integral e salada mista com sementes e nozes. Onde estão as proteínas? No feijão, no arroz integral, nas sementes, nas nozes. Apesar de em nenhum destes alimentos haver uma quantidade tão grande de proteínas como num bife, a sua conjugação permite-nos ingerir a dose diária recomendada de proteínas  – 15-30% do valor energético total (a referência para um adulto são 2000 kcal/dia). #Vida Saudável