A rutura de #medicamentos agravou-se em 2016. Mais de metade dos utentes foram afetados com a falha no abastecimento das farmácias, revela o estudo "Diagnóstico ao (des)abastecimento do mercado farmacêutico em Portugal, 2016", realizado pela consultora Deloitte e divulgado pela Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), esta segunda-feira, 10 de outubro. O problema no circuito do medicamento atinge 99% das farmácias do país. O agravamento da #exportação paralela é um dos motivos apontados.

A falta de medicamentos nas farmácias está a piorar: em 2013, 46% dos doentes queixava-se de sair da #farmácia sem aviar a receita; este ano, os medicamentos esgotados são reportados por mais de 56% dos utentes, segundo o referido estudo.

O documento apresentado não deixa dúvidas. A generalidade das farmácias inquiridas assume ter tido falhas no fornecimento, com 99% a admitirem este cenário no decorrer de 2016. Alarmadas com esta situação, as farmácias queixam-se do “elevado impacto” das falhas no fornecimento e apontam como razão principal a falta do produto nos distribuidores ou nos próprios laboratórios. Segundo o estudo, uma em cada cinco farmácias aponta também o dedo à exportação paralela.

A liderar a lista dos medicamentos mais esgotados estão os anti-infecciosos gerais para uso sistémico (23%), enquanto que, em 2013, a rutura maior abrangia os fármacos indicados para o sistema nervoso.

De acordo com o estudo, 44% das falhas de abastecimento não são resolvidas no próprio dia, demorando mais de 48 horas a serem solucionadas e apenas 35% têm resolução em menos de 24 horas. 

Em comunicado, o presidente da Apifarma, João Almeida Lopes, reconhece que o facto de os preços aprovados em Portugal serem “dos mais baixos da União Europeia” agrava o cenário da exportação paralela e impede o acesso do doente ao medicamento. “Os preços injustificadamente baixos – com motivações estritamente economicistas - colocam em causa o abastecimento do mercado nacional porque torna-se mais apelativo exportar.”

Segundo o estudo, a rutura de medicamentos verificada não tem relação com a falta de poder de compra das farmácias aos grossistas, já que as falhas registadas ocorreram numa altura em que, para fazer face à realidade atual, 59% das farmácias admitiu ter aumentado o stock médio, um quadro inverso ao verificado em 2013, onde 52% das farmácias afirmavam ter reduzido o número de medicamentos em reserva.