A professora Rosa Begonha, Diretora Clínica do IPO-Porto, refere que “se o doente fica curado e venceu a luta contra o #Cancro, isso para o médico é também uma vitória. Infelizmente os casos de cura no cancro não são muito frequentes, mas dependem de vários fatores, entre os quais a idade, o tipo de cancro e o estádio da doença (localizada ou disseminada). Há cura em alguns tipos: leucemias agudas, tumores germinativos, cancro do testículo, entre outros”.

A comunicação de um cancro a um paciente nem sempre é uma tarefa fácil, mas hoje em dia, devido ao maior acesso à informação, a comunicação do cancro já vai sendo mais fácil.

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“A comunicação ao doente também depende de vários fatores, nomeadamente o nível cultural e intelectual do doente. Cada vez mais é maior o nível de informação do doente, pelo que não há qualquer problema em comunicar ao doente que tem um cancro, especificar o tipo de tratamentos a que vai ser sujeito e qual o prognóstico da doença. Isso facilita o seguimento da doença e adesão ao tratamento”, acrescentou a Diretora Clínica do IPO-Porto.

Os métodos de tratamento do cancro são a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. Mas “nem sempre o tratamento do cancro é a cirurgia. No caso das leucemias e linfomas o tratamento é a quimioterapia”, sublinhou.

O caso de Sara

Os doentes multiplicam-se, mas há casos de sucesso: a Sara Ferreira, natural de Torres Novas, foi diagnosticado um cancro maligno aos quatro anos de idade: “Tinha muitas dores na cara, do lado esquerdo, e toda a gente pensava que era um abcesso.

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Fui para o hospital da Estefânia para me drenarem o suposto abcesso e aí é que descobriram que era linfoma de Burkitt, já em estádio IV. Era maligno claro, porque se for benigno não causa grande incómodo”. Sara referiu que na altura não tinha noção da gravidade da doença, porque era “muito pequena”, mas os seus “pais sentiram que o mundo estava a desabar”. 22 anos depois, Sara conta que os seus pais foram o seu grande apoio.

O início do tratamento foi bastante complicado, devido a ser um tumor raro. Sara foi sujeita a um tratamento novo. “Como eu já estava num estado muito avançado da doença, fazia quimioterapia muito agressiva; sendo assim, fazia cinco dias de quimioterapia em que tinha que ser muito vigiada. As minhas veias deixaram de aguentar e tiveram que me pôr um cateter. A seguir à quimioterapia ficava em isolamento, o que significa que não podia estar contato com pessoas, devido ao meu sistema imunitário ficar muito enfraquecido com os tratamentos. Ficava em isolamento durante 10 dias, todos os dias fazia análises e levava diariamente uma injeção para o sistema imunitário ficar reforçado”.

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Após a quimioterapia, fez ainda cerca de 12 sessões de radioterapia.

Sara Ferreira não foi submetida a nenhuma cirurgia para remover o cancro: “No meu caso em particular, a doença que me afetou chama-se Linfoma de Burkitt, o que significa massas tumorais sobre os órgãos, devido ao sistema linfático que percorre o nosso corpo e leva células malignas, fazendo com que se instalem tumores nos órgãos. Portanto, é um tipo de cancro que não é operável. Na maioria dos casos, tem uma maior taxa de sobrevivência, porque consegue-se, através da quimioterapia, eliminar as massas cancerígenas que se formam nos órgãos”.

Apesar de ter vencido a luta contra o cancro, esta doente oncológica perdeu a visão do lado esquerdo. Sara vai anualmente ao IPO fazer exames de rotina, principalmente porque tem um tumor benigno na cabeça.

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Há casos de sucesso na luta contra o cancro #Casos Médicos #Causas