Apesar de uma auditoria, revelada em Dezembro de 2017, ter mostrado que as infecções hospitalares, adquiridas durante o internamento, tinham diminuído para 7.8%, quando em 2012 eram de 10.5%, continuamos ainda acima da média europeia, que é de 6.1%. Ou seja, o risco de contrairmos uma infecção, seja num hospital ou numa outra unidade de saúde, continua ainda muito elevado e preocupante.

Possivelmente, todos nós conhecemos alguém, ou temos alguém muito próximo, que já contraiu uma infecção num hospital, ou até faleceu da mesma. Ouvimos contar que o 'Sr. Martins' foi internado com um AVC e faleceu com uma infecção respiratória, que a 'senhora Conceição' foi operada à vista e faleceu com uma septicémia, que aquele amigo que fazia hemodiálise acabou por contrair uma infecção estranha...

Sim, ouvimos tudo isso, mas pouco ouvimos do que se tem feito para evitar que estas mortes aconteçam, ou até mesmo que o hospital tenha sido responsabilizado e processado.

Um relatório de 2015 chegou até a comparar estas mortes com as de acidentes de viação, e o número das que foram associadas a infecções nos internamentos era sete vezes maior: uma média de 12 casos por dia, 4606 mortes em 2012.

E o que se pode fazer para o evitar?

Uma investigadora do Porto, Manuela Oliveira, responsável pelo projecto PathoWatch.med., desenvolveu um programa que monotoriza todos os meses as superfícies dos #hospitais. Pretende, assim, investigar a ‘pegada’ microbiana dos pacientes que entram nas unidades de saúde, monotorizando os puxadores das portas, cortinas, camas, carrinhos de apoio, tabuleiros cirúrgicos, desde o Recobro ao Bloco de Cirurgia, onde as infecções parecem ser maiores.

Este estudo permitirá conhecer a ‘rota de transmissão’ e elaborar medidas preventivas para reduzir a contaminação microbiológica dessas superfícies, entre os doentes e os profissionais de saúde, assim como entre os equipamentos e os sistemas de ventilação.

Mas os cuidados a ter continuam negligenciados...

A higienização das mãos deve ser feita com água, sabão e alcool-gel; utilizar avental e luvas sempre que houver contacto com doentes; ter atenção com objectos cortantes; esterilização dos instrumentos, descontaminação do ambiente quando o paciente recebe ‘alta’...

Mas, seja pela grande afluência destes locais, falta de profissionais (e profissionalismo!), pela falta de consciencialização e até de condições financeiras, muitos destes procedimentos não são feitos. Veja-se por exemplo o caso das doenças respiratórias, onde seria fundamental colocar o doente num quarto privado e que todos os que o visitassem usassem máscaras, enfermeiros, médicos, visitas, e até o próprio paciente sempre que saísse do quarto.

Não vemos nada disto acontecer. Pelo contrário. Aliás, já me aconteceu ter de levar a minha filha comigo a uma urgência e, quando pedi uma máscara para ela, o enfermeiro que estava na triagem olhou-me com espanto!

O hospital funciona como um centro onde bactérias, vírus e muitos outros microrganismos, podem ser transmitidos de uma pessoa para outra e, se estas pessoas estão enfraquecidas, serão uns óptimos hospedeiros. Sofrem ainda da agravante que as bactérias que os atacam são, na maioria, mais resistentes a antibióticos porque já os receberam.

Imagine um paciente ligado a sondas e cateteres, sem mecanismos de defesa e com a flora intestinal aniquilada pelos antibióticos. É como que cultivar numa terra fértil!

A nossa pele, boca, intestinos, têm a protegê-los uma imensa flora bacteriana; mas quando tomamos antibióticos ou quimioterápicos matamos esses seres vivos, e criamos um terreno desocupado favorável à colonização de fungos e bactérias.

E o quanto é importante lavar as mãos?

Em meados do século XIX, o médico húngaro Ignaz Phillip Semmelweiss apercebeu-se que as mãos podiam estar no principio da transmissão de infecções, quando as suas parturientes morriam após terem sido examinadas pelos estudantes de medicina que também faziam autópsias.

Aliás, e curiosamente, antes dele, as mulheres já tinham alguma 'desconfiança' disso, pois só queriam ser atendidas por parteiras que não trabalhassem em salas de autópsia...

Mas foi este médico que instituiu a higienização das mãos com fenol e cloro.

Se pensarmos que usamos as mãos praticamente para tudo o que fazemos, não é de estranhar que elas possam ser um dos principais veículos de transmissão de infecções. Logo, é de estranhar (e lamentar!) que o hábito da sua lavagem ainda não se tenha enraizado nos hábitos da população, nem sequer dos profissionais de saúde!

Quando estes observam um doente colonizado com uma bactéria resistente, esta acaba por ficar nas suas mãos, se de seguida forem atender outro paciente podem infectá-lo de imediato, e ainda com maior facilidade se for alguém debilitado.

É importante também que quem visita os seus parentes e amigos doentes nos hospitais, seja alertado para a importância de desinfectar as mãos.Tanto à entrada, como à saída. As crianças não devem fazer estas visitas. Relativamente a recém nascidos, devemos lembrar que estes pequenos seres ainda não possuem flora intestinal que os proteja das bactérias alheias. Assim, visitantes doentes, nem que seja com pequenas infecções, devem ser impedidos de entrar. E pegá-los ao colo apenas se pesarem mais que 2.5 kg, e de mãos desinfectadas. Os beijinhos, embora carinhosos, são de todo desaconselháveis.

E como devem os profissionais lavar as mãos?

Dizem os intendidos:

1º As mãos devem ser molhadas e só depois colocar o sabão, que deve ser liquido.

2º Esfregar bem as palmas, as costas, os dedos e entre os dedos. Atenção também às unhas. Existem espátulas que ajudam a limpar as unhas mais compridas.

3º Ao enxaguar, os dedos devem estar voltados para cima.

4º Para secar as mãos, devem ser usadas toalhas de papel (nunca de pano!), que serão usadas também para fechar a torneira e depois eliminadas.

Infelizmente, também, como já referi, médicos e enfermeiros não cumprem rigorosamente estas normas. Num Congresso de Infectologistas foram até filmados estes profissionais a saírem da casa de banho sem lavarem as mãos.

Infelizmente parece que a técnica não é ensinada nas faculdades...

Talvez caiba a nós, pais, ensinar os nossos filhos a adquirir estes bons hábitos desde bem pequenos. Quem sabe não serão um dia profissionais de saúde?! Sejam, ou não, este simples gesto pode fazer a diferença entre a vida e a morte; e, numa época em que proliferam as gripes, não é demais alertarmos para essa prática.

Seria muito bom um dia podermos ter Hospitais e Centros de Saúde com ‘Bandeira Azul’, tal como encontramos nas praias que não apresentam riscos para a saúde. Sim, porque afinal, é para curarmos as nossas doenças que procuramos estes locais, não para contrairmos outras, por vezes ainda mais graves, que nos podem até matar! #infecões #lavar as mãos