Os números do Observatório de Mulheres Assassinadas são assustadores. Pelo menos quarenta (!) mulheres foram assassinadas este ano, com a autoria dos crimes a incidir nos próprios companheiros das vítimas, em indivíduos com quem mantiveram uma relação íntima ou ainda em familiares próximos. Das quarenta vítimas, mais de metade já estavam submetidas a ambientes de violência doméstica antes do óbito. A contabilização foi feita entre os dias 1 de Janeiro e 30 de Setembro, sendo que além das 40 mulheres mortas, houve ainda 46 que escaparam a tentativas de homicídio.

"São números muito alarmantes, se atendermos que a violência doméstica tem sido tão falada", sublinhou Sónia Soares, psicóloga da organização feminista União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR). Na UMAR desde Junho de 2004, Sónia Soares aponta a solução para diminuir o número de casos dramáticos: "Falta investir na prevenção primária, falta mudar mentalidades, falta investir nas escolas". Note-se que o relatório, que é apresentado às 18h desta quarta-feira no Centro de Cultura e Intervenção Feminista em Lisboa, engloba apenas os crimes relatados nos órgãos de comunicação social. Todavia, vale a pena não descurar os números: mais de 50% (52,2%) das vítimas foram assassinadas pelo marido, companheiro ou namorado, ao passo que 30% sucumbiram às mãos do "ex" (marido, companheiro ou namorado).

Elisabete Brasil, presidente da UMAR, não nega que o país tem feito vários esforços no sentido da prevenção da violência em causa, ao reconhecer que a sociedade está mais sensibilizada para a violência de género. Ainda assim, a responsável da organização feminista considera que ainda há muito por fazer, nomeadamente no campo das mentalidades e deixa o mote: É preciso "abalar as estruturas sociais". No que concerne à distribuição de homicídios por distrito, é em Setúbal que o número é mais elevado (7). Segue-se o distrito de Lisboa (5) e Porto (4). Na cauda da lista surgem os distritos de Viana do Castelo e Castelo Branco, que não apresentam qualquer registo.