As hashtags funcionam como agregadores de tópicos na internet e têm sido usadas nas redes sociais nesse sentido, especialmente no Twitter desde 2009, e consequentemente também como forma de filtro de temáticas. Basta acrescentar o símbolo # antes das palavras ou conjuntos de palavras para as transformar numa hashtag, que funciona também como link para todas as postagens que contêm essa mesma hashtag. Mas a criação desta funcionalidade que cataloga mensagens trouxe utilizações que vão além disso. Esta ferramenta é usada como mensagem por si só, isto é, sem estar junto a qualquer outro conteúdo, como forma de pontuação com um carácter exclamativo inerente ou até como um slogan. Tal como acontece com qualquer fenómeno que se torna viral, as hashtags ultrapassaram a barreira da internet e, tal como as aspas desenhadas no ar com dois dedos para simbolizar uma citação ou forma de expressão enquanto se conversa, têm sido usadas nos diálogos do quotidiano onde o seu uso principal é inútil.

Esse fenómeno foi particularmente visível em Maio deste ano, após a notícia de que um grupo do movimento extremista Boko Haram tinha sequestrado mais de 270 raparigas no norte da Nigéria. Os protestos multiplicaram-se e nas redes sociais foi criada a hasthatg #BringBackOurGirls, que se tornou especialmente celebrizada quando Michelle Obama a usou num cartaz. Aí, a hashtag perdeu o seu sentido de agregador de temas, já que fazia parte de uma fotografia e não era possível clicar sobre ela para aceder a mensagens sobre o mesmo tópico, e passou a representar um dos fenómenos mais comuns no campo das manifestações de solidariedade social hoje em dia: uma afirmação poderosa de protesto e ao mesmo tempo de empatia. Dessa forma, as hashtags têm inclusivamente sido usadas fora do local onde são interactivas, incluindo em mensagens em cartazes e t-shirts.

Fenómenos recentes

Antes do feminismo andar nas bocas do mundo e apontar para as desigualdades que ainda persistem na sociedade moderna, as mulheres começaram a expressar os problemas relacionados com o seu género, particularmente os mais fúteis, nas redes sociais e catalogaram-nos com a hashtag #GirlProblems (ou "problemas de mulher") que, tal como #FirstWorldProblems ("problemas de primeiro mundo") simbolizam problemáticas que estão bastante longe daquelas como a paz no mundo. Entretanto isso mudou com o constante uso de hashtags como forma de solidariedade. #CrimingWhileWhite ("crimes protagonizados brancos") tem sido usado como forma de alertar para a descriminação racial por parte da polícia norte-americana, por exemplo. Muitos cibernautas têm confessado os seus crimes, dos quais saíram impunes, e cuja gravidade é semelhante aos que foram protagonizados pelos indivíduos afro-americanos que recentemente morreram ou ficaram feridos após a intervenção policial.

Mais recentemente #PrayForSydney ("rezando por Sydney") e #IllRideWithyou ("estou contigo") subiram aos tops das hashtags mais usadas nas redes sociais após, na segunda-feira, um grupo de pessoas ter sido sequestrado em Sidney, na Austrália, por um radical islâmico. A situação foi resolvida no dia seguinte, mas o sentimento de insegurança que se registou fez com que a solidariedade e a empatia se mantivessem para ambos os lados da questão. Enquanto a primeira hashtag se manifesta em relação ao evento em si, a segunda é um manifesto pelos muçulmanos que, devido ao radicalismo de alguns extremistas, vêm a sua própria segurança afectada pela islamofobia.