Mesmo nesta quadra, as boas notícias não abundam, mas por entre escândalos e indícios de corrupção, há também histórias que aquecem o coração e mostram mudanças e o lado positivo da humanidade. É o caso da jovem britânica Dominique Harrison Bentzen, que certa noite precisava de apanhar um táxi mas, como tinha perdido o seu cartão de multibanco, acabou por ser socorrida por um mendigo chamado Robbie, que estava nas imediações e lhe ofereceu três libras. O gesto sensibilizou Dominique a tal ponto que, mesmo não tendo aceitado o dinheiro, criou o fundo Help Robbie Fund para ajudar Robbie a comprar uma casa e com isso facilitar a sua procura de emprego. Mais de 21 mil libras foram angariadas através do fundo, que motivou várias pessoas a doar as mesmas três libras que Robbie queria dispensar a Dominique, num gesto de solidariedade que comoveu a internet.

Quem também tem comovido com as suas palavras é Malala Yousafzai, que recebeu na semana passada o seu Prémio Nobel da Paz. A paquistanesa de 17 anos enfrentou as dificuldades de frente para lutar pelo direito à educação e no seu poderoso discurso relembrou ao mundo a razão por detrás da atribuição deste prémio à personalidade mais jovem da história do galardão: "É por todas as crianças esquecidas que querem educação. É por todas as crianças assustadas que querem paz. É por todas as crianças sem voz que querem mudança. Estou aqui para representar os seus direitos e elevar a sua voz. Não é altura para termos pena deles. É altura para actuarmos de forma a que esta seja a última vez que vemos uma criança privada de educação", defendeu Malala.

Outra mulher que está a mudar a história contemporânea é Libby Lane, a primeira a ser nomeada bispo da Igreja de Inglaterra em 500 anos de actividade. A britânica é agora bispo de Stockport, após ter sido também uma das primeiras mulheres a ser ordenada como padre (ou antes madre) em 1994, através da igreja anglicana. Como bispo, palavra que ainda não tem representante oficial no feminino, o seu primeiro acto foi liderar uma oração pelas crianças recentemente vítimas de um massacre numa escola paquistanesa.

A contribuir para a mudança do mundo está também um indiano chamado Jadav Payeng. Só há pouco tempo se descobriu a sua história inspiradora que inspirou o seu pseudónimo Homem Floresta. É que o activista ambiental está desde 1979 a plantar uma floresta em Jorhat, na Índia e o seu legado conta com mais de 5500 quilómetros quadrados de florestação. Após ter participado num programa governamental de combate à erosão dos solos, que terminou no final da década de 70, Jadav Payeng continuou o trabalho sem qualquer apoio. Agora, o parque natural por si criado é refúgio de várias espécies de elefantes, tigres e rinocerontes em vias de extinção. "Só através da plantação sobreviverá o planeta", explicou o revolucionário num documentário realizado por William Douglas McMaster.

Em Portugal também há boas notícias para contar. O projecto Refood, que combate o desperdício alimentar e ao mesmo tempo ajuda os mais necessitados, está em expansão e os núcleos de voluntários não para de crescer. Após um encontro global de movimentos solidários no Vaticano, no qual se encontrou com o Papa Francisco, o criador do Refood, Hunter Halder, impulsionou ainda o primeiro encontro nacional do projecto no país, a 8 de Dezembro e a rede de parceiros e participantes está em constante crescimento. Este fenómeno de solidariedade ainda vai dar muito que falar em 2015. #Inovação