O voluntariado e a solidariedade a que o primeiro movimento está associado, ocupam nesta quadra natalícia grande destaque nas conversas mundanas, inclusive nos alinhamentos televisivos. Eu, admiro e aplaudo de pé toda essa gente que diariamente trabalha gratuitamente para os que mais precisam. Também eu quis fazer parte de um grupo de pessoas assim. Era o primeiro ano da universidade e depois da perda inesperada do meu pai, senti que deveria acompanhar a vida de pessoas chamadas doentes e, ao mesmo tempo, alegres e inconfundivelmente agarradas à vida pelas formas mais simples que a natureza tem ao nosso alcance.

A instituição em questão era vizinha do meu quarto na cidade que mal conhecia, achei perfeito entrar por aquelas portas com uma caneta e preencher a ficha de inscrição de voluntários. Assim aconteceu; mas quando me perguntaram o que fazia, e eu respondi naturalmente que estudava em determinada instituição, a cara da funcionária foi de uma arrogância extrema que temo não esquecer. De qualquer forma, pensei que o problema fosse apenas da funcionária mas não era. Era de toda uma instituição de ajuda a terceiros que, em "guerra" com a direção da instituição de ensino em questão, fechava a porta a todos os seus alunos, colaboradores, entre outros.

Descobri este facto mais tarde, quando me encontrava a colaborar numa empresa de comunicação ali circundante que me explicou uns pequenos pormenores depois de um comentário fugaz sobre a questão. Fiquei desiludida e perguntei-me porque razão não existem mais voluntários neste país.Talvez seja isso, a incapacidade visível das chefias resolverem os seus problemas de comunicação externos e internos que atiram para o abismo a correta imagem da instituição sem disso se importarem.

Bem, entretanto quis ser dadora de sangue mas na altura o peso que a balança determinou não foi suficiente para iniciar tal atividade. Lembrei-me então dos animais, dou-lhes o máximo que posso e sou constantemente criticada porque muita gente é da opinião que quando existem crianças e pessoas com fome, não deveríamos sequer pensar em tratar de animais. "Sou presa por ter cão e por não ter. "