Depois de ter esgotado em França, a edição especial de Charlie Hebdo chega esta sexta-feira a Portugal com cerca de 500 exemplares. Uma semana depois do ataque à redação do satírico jornal francês Charlie Hebdo, o jornal saiu esta quarta-feira para as bancas com uma tiragem de três milhões de exemplares, a que se seguiram mais 2 milhões. No entanto, o número foi reduzido face à elevada procura. Segunda a Agence France Press (AFP), a maior parte dos jornais disponíveis esgotou antes das 8h00 (7h00 em Portugal).

Em Portugal, segundo a International News Portugal (INP), importadora do jornal, espera-se uma procura superior ao habitual. O semanário vai estar à venda nos postos que habitualmente vendem imprensa estrangeira. Todo o dinheiro obtido irá diretamente para o jornal que vivia com dificuldades financeiras.

O lançamento desta edição especial fica ainda marcado por uma publicação mais reduzida que o normal. O semanário tem apenas oito páginas, realizadas pelos sobreviventes, ao invés das habituais 16. A publicação já é alvo de polémica, devido à capa verde onde se vê Maomé com uma lágrima e a segurar um papel com a expressão "Je suis Charlie" ("Eu Sou Charlie"). A isto ainda se soma a frase "Tudo está perdoado". Nesta edição especial, o jornal mantém a mesma linha editorial e irreverência sendo que as primeiras páginas apresentam desenhos dos cartoonistas falecidos.

A edição 1178 é distribuída em 25 países, incluindo Portugal, e traduzida em cinco línguas: inglês, espanhol e árabe na versão digital, e em italiano e turco na versão impressa. Recorde-se que a redação do jornal Charlie Hebdo, em Paris, foi alvo de um ataque na passada quarta - feira, dia 7 de janeiro, de onde resultaram 12 mortos, entre jornalistas, cartoonistas e polícias.

A Al-Qaeda do Iémene já confirmou a autoria do ataque, afirmando que estas foram ordens da direção do grupo militante islâmico em resposta aos ataques ao profeta Maomé. Num vídeo colocado no Youtube, Ali al-Ansi, o principal líder ideológico da Al Qaeda no Iémene, disse que foi a liderança da organização "que escolheu o alvo, colocou o plano em ação e financiou a operação". #Religião