Muitas são as pessoas que optam por trabalhar em casa, no jardim ou, até mesmo, no escritório nos dias que correm. Este tipo de escolha não é acessível a todos. Mesmo assim, tem vindo a ser cada vez mais frequente devido, maioritariamente, à evolução do trabalho em rede (coworking).

A verdade é que a partir do seu computador e das suas credenciais cedidas pela sua empresa, pode aceder facilmente ao seu correio electrónico e a qualquer documento que necessite, a partir de qualquer lugar onde se encontre. Maria (nome fictício) trabalha há mais de 10 anos numa empresa do sector tecnológico. Desde a data de início do seu contrato ficou definido que ficaria a trabalhar em casa vários dias por semana.

Como a Maria, há vários casos em Portugal que reflectem esta prática dos escritórios virtuais que, ao que parece, se vai multiplicando em território nacional. Apesar desta forma de trabalhar ainda poder ser olhada de lado, a verdade é que tem cada vez mais adeptos.

É necessário um certo grau flexibilidade por parte das empresas com os seus trabalhadores. Embora existam empregadores que oferecem ainda alguma resistência, há quem considere que trabalhar em casa tem um maior número de vantagens, em especial no que respeita à produtividade e qualidade do trabalho de cada um. Segundo Maria, "trabalhar em casa poupa bastante tempo em deslocações e, desde que o faço, consigo evitar atrasos para o trabalho, devido ao trânsito ou qualquer outro percalço".

A resistência das empresas mais tradicionais pode estar relacionada com a área de trabalho em que inserem e também com a ausência de um controlo rigoroso dos chefes aos seus empregados. Há um receio de que em casa ou em qualquer outro local que se opte por trabalhar a atenção do trabalhador seja desviada por outros factores.

Na 26ª Edição da Conferência Anual da Global Workspace Association, realizada no ano passado em Baltimore (EUA), chegou-se à conclusão de que "em 2011, existia cerca de 1 bilião de trabalhadores móveis e estima-se que em 2015 este número aumente para 1,3 biliões".

O Coworking começa a ser uma realidade cada vez mais comum entre as empresas a nível mundial e que tem crescido também em território nacional. Cada vez mais empresas e trabalhadores aderem a esta prática porque, segundo eles, tem mais vantagens. O trabalho torna-se mais produtivo, pois é o trabalhador que decide onde e quando é melhor trabalhar. Para além disso, é criado um vínculo com um maior nível de confiança entre o empregador e o empregado.

Maria não abdica daquilo que considera ser o seu "estatuto social no emprego". Há muitas pessoas que não têm esta oportunidade, pela área de trabalho em que a sua empresa actua. Contudo, há que tentar perceber se esta é uma tendência de trabalho que veio para ficar ou se apenas alguns trabalhadores terão esta opção de escolha "à mão de semear."