Praticantes de judo, alunos e antigos alunos da Universidade do Minho, despiram-se de preconceitos e deixaram-se fotografar, sem roupa, para um calendário. Este ato que pode ser, inicialmente, considerado como demasiado ousado, tem por base uma causa solidária. O objetivo destes jovens é angariar dinheiro para o Fundo Social de Emergência, que, no último ano recebeu 86 pedidos de ajuda de estudantes carenciados. Além disso, e como é percetível, este projeto é executado com a maior discrição e elegância e não fere qualquer tipo de suscetibilidade.

As honras deste trabalho devem-se não só aos modelos, mas também ao fotógrafo e professor de judo, Nuno Gonçalves, que para além de ser o artista por detrás das câmaras, é a mente criadora desta causa. O calendário tem tido um enorme sucesso. Os serviços da Universidade do Minho já receberam dezenas de contactos de pessoas de vários pontos do país e, inclusive, do estrangeiro, que pretendem adquirir o calendário.

Para já, o calendário encontra-se apenas à venda nas instalações da universidade. Porém, e de acordo com o que Nuno Gonçalves afirmou numa entrevista ao Jornal de Notícias, a distribuição do calendário pelos vários pontos do país é o próximo objetivo a cumprir. Para todos os interessados, o calendário tem um custo de 5 euros e a primeira edição conta com 400 unidades, sendo que se houver uma grande procura será feita uma nova edição.

Os doze judocas (dez rapazes e duas raparigas) e o próprio fotógrafo sentiram algumas, embora pequenas, alterações nas suas vidas. De uma vida privada passaram para a esfera pública, sendo o centro das atenções. As redes sociais e os telefones dos alunos fotografados receberam centenas de mensagens e comentários. "Sabes que não tens uma vida normal quando a tua mãe te liga a dizer que te viu nu nos jornais e na televisão", comenta Guilherme, modelo do mês de maio, no seu Facebook.

Contudo, o motivo subjacente a esta causa não é esquecido. Numa entrevista ao JN, um dos modelos refere que pretende fazer a diferença ajudando causas. Este é um exemplo de como a irreverência e ousadia podem ser aliados a causas nobres. Até que ponto este projeto pode ser um incentivo à solidariedade?