Um escritório de alta tecnologia na Suécia está a implantar, nos seus trabalhadores, com chips de computador sob a pele. O objectivo é criar uma identidade-electrónica nos empregados como condição para ter acesso ao edifício. O edifício Epicenter em Estocolmo, que hospeda empresas em fase de arranque, bem como empresas como a Google e a Microsoft, utiliza a tecnologia de microchip para autorizar que o pessoal abra portas, interaja com os smartphones, ou opere com o equipamento. De acordo com Hannes Sjoblad, gestor de "disrupção", o chip vai também ser usado para pagar as refeições na cantina e substituir as passwords para ter acesso aos computadores.

Sjoblad afirma que as pessoas deveriam acolher o chip porque tornaria suas vidas "mais fácil". Ao mesmo tempo adverte que os governos e corporações um dia poderão exigir que as pessoas sejam impregnadas com a tecnologia do microchip. "Queremos ser capazes de compreender esta tecnologia antes das grandes empresas e do grande governo virem até nós e dizer que todos devem ficar infectados com o chip; o chip do Governo, o chip das Finanças, o chip da Google ou do Facebook", disse ele. Sjoblad comentou ainda: "Anos atrás, houve temor sobre as vacinas e agora parece perfeitamente normal ter células injectadas em nós. Esse é um dos primeiros exemplos de bio-pirataria." "Temos vindo a colocar chips em animais desde há 20 anos", acrescentou.

A existência de pessoas implantadas com microchips como condição de acesso a áreas privilegiadas/protegidas não é de maneira nenhuma uma nova tecnologia. São já alguns exemplos de situações em que os microchips são usados publicamente:

Em Barcelona, os clientes de uma discoteca usam o chip para aceder a áreas VIP e pagar por bebidas; em 2004, o procurador-geral do México e pelo menos 160 funcionários do seu escritório foram injectados com chips de tamanho de grão de arroz para ter acesso a áreas de segurança do edifício; em Janeiro do ano passado, o ex-director DARPA e agora executiva no Google, Regina Dugan, promoveu a ideia de um chip comestível para "autenticação"; enquanto o director de engenharia do Google, Scott Huffman, diz que dentro de cinco anos as pessoas vão ter microfones ligados a seus tectos e microchips embutidos em seus cérebros a fim de realizar pesquisas na internet mais rápidas.

Um artigo da CNN que especulou sobre o futuro do transhumanismo previu que, dentro de 75 anos, todos no planeta teriam um implante de chip no cérebro, que permitiria que o seu comportamento passasse a ser controlado por um terceiro. O mesmo é alegado no Plano Estratégico Global 2006/2036, que refere que a identidade humana, durante este período, pode vir a perder para "formas de identidade electrónica".

O lançamento do novo sistema da Apple 'ApplePay' no ano passado, que utiliza impressões digitais biométricas para permitir aos usuários fazer compras, também aumenta os temores sobre a "marca da besta", um versículo da Bíblia - no Apocalipse que prevê que "ninguém pode comprar ou vender a menos que tenha a marca da besta", que muitos cristãos atribuem à tecnologia de pagamento biométrico, códigos de barras e microchips implantáveis.

No futuro dos transhumanistas, a identidade humana deixará de ser espiritualmente biológica e passa a ser tecnológica ou electrónica, será proprietário dessa identidade quem liderar a tecnologia.