O falecimento misterioso da actriz Maria Zamora, que foi encontrada sem vida em casa pelo actual namorado, vai ser investigada pelo Ministério Público. Em causa está uma queixa-crime, por violência doméstica, apresentada pela actriz contra o ex-namorado. Embora não existam indícios ou sequer rumores no sentido de um homicídio, crê-se que Maria Zamora se possa ter suicidado na sequência de uma depressão causada por essa situação.

Os pormenores foram tornados públicos por Raquel Freire, cineasta e amiga da actriz, em declarações ao jornal Público. Raquel conta que Maria "estava a viver em casa de amigas", uma vez que existia uma ameaça concreta contra ela. A cineasta relatou também que quando Maria apresentou queixa foi informada que já haviam ocorrido duas queixas anteriores do mesmo género, mas que as queixosas haviam desistido "por medo". Raquel Freire aponta ainda que a actriz elogiou sempre o trabalho da PSP, "ainda que não seja possível ter vigilância 24 horas por dia", e que não queria desistir do processo, pretendendo levá-lo até às últimas consequências.

Maria Zamora participou em várias telenovelas, sendo a mais recente a nova versão de Jardins Proibidos, da TVI. A actriz tornou-se muito conhecida também enquanto Dra. Tutti Frutti do projecto Doutores Palhaços, que leva alegria e boa disposição às crianças internadas em hospitais.

A forma misteriosa e inesperada como surgiu o falecimento da actriz levantou muita curiosidade, que as declarações de Raquel Freire vieram satisfazer parcialmente. E embora a imprensa deva respeitar a presunção de inocência, princípio de base de uma sociedade civilizada, é de louvar que o Ministério Público não deixe cair esta situação. Maria Zamora viveu uma situação pessoal muito difícil e estava a lutar contra ela. Aparentemente, não pôde viver para concretizar essa luta, ou foi por ela derrotada de alguma forma. Em seu nome, em nome de todas as vítimas de violência doméstica, aguardamos que os investigadores façam o seu trabalho. #Justiça