Uma petição, que conta com mais de meio milhão de assinaturas, foi hoje entregue no número 10 de Downing Street, residência oficial do gabinete do primeiro-ministro britânico, David Cameron. Este documento exige um perdão real aos mais de 49 mil homens condenados pelas suas opções e orientações sexuais, durante a primeira metade do século XX, em território britânico.

Milhares de pessoas ficaram sensibilizadas com o filme "O Jogo da Imitação", que retrata a #História verídica de Alan Turing, um matemático famoso pelas suas contribuições durante a segunda guerra mundial, que acabou por ser condenado por ser homossexual, tendo sido obrigado a tomar medicação diária, como forma de curar a "doença". Existe fortes indícios que Turing, conduzido pela depressão profunda, tenha cometido suicídio aos 41 anos de idade. Em 2013, foi-lhe concedido um perdão real, contudo a família de Turing pretende que todos os condenados tenham o mesmo tratamento por parte do governo britânico e que seja feito um pedido de desculpa formal a todos os afectados por esta lei desumana.

Estima-se que cerca de quarenta e nove mil homens tenham sido privados dos seus direitos fundamentais, apenas porque as suas orientações sexuais eram consideradas "abomináveis" perante a sociedade. Passados mais de 50 anos, quinze mil homens que sofreram com esta lei ainda se encontram vivos e relatam histórias arrasadoras dos tempos das suas condenações. Desde maus-tratos, agressões psicológicas e físicas, a medicações que curavam "a doença de ser homossexual", tudo serviu para castigar as pessoas que não encaixavam nos padrões da sociedade actual.

Esta sensibilização e apoio fortífero teve uma importante contribuição: o recém-galardoado filme "O Jogo da Imitação", vencedor do óscar de melhor argumento adaptado. Alan Turing ficará para sempre conhecido por ter construído uma máquina que ajudou a terminar a segunda guerra precocemente, porém, este também poderá ficar na história, por ter impulsionado um movimento de respeito aos homossexuais no Reino Unido. Se de facto o governo britânico aceitar as exigências da petição e concordar com o perdão público, seria o primeiro país do mundo a fazê-lo formalmente.