Em Londres, pouco importa para a direção em que se olha; dezenas de gruas quase rivalizam com alguns dos mais emblemáticos monumentos da capital britânica. Há muito que nesta cidade a procura de casas ultrapassa a oferta existente e os preços atingem valores impensáveis. Mas com o atenuar da crise, o mercado da construção civil está novamente a recuperar e a contratar. Um estudo recente diz que os pedreiros portugueses são os preferidos e chegam a receber mais de 1300 euros por semana. Domingos Cabeça, gestor há vários anos numa agência de Recursos Humanos em Londres, refere que os elevados salários resultam do número de horas de trabalho. Para ele, são cada vez menos as pessoas disponíveis para trabalhar cerca de 10 a 12 horas por dia, e os portugueses emigrantes, por estarem noutro país para ganhar dinheiro e fugir à realidade que deixaram para trás, aceitam este tipo de trabalhos.

Londres não pára de crescer, e por isso as empresas de construção civil estão a contratar trabalhadores de toda a Europa. Para a Federação Britânica de Construtores de Habitação, mais do que a preferência por portugueses, o problema resume-se à simples falta de pedreiros britânicos. Contudo, para trabalhar na construção civil no Reino Unido, a exigência é elevada. A necessidade das empresas é muita, mas apenas aos mais qualificados é dada uma oportunidade. Domingos aconselha todos os portugueses que pretendam emigrar para Londres para trabalhar no sector da construção civil a fazer um curso de higiene e segurança no trabalho (HCC), e refere que é fundamental ter um nível de inglês médio. Caso contrário, as dificuldades são acrescidas e as oportunidades poderão nem sequer surgir, levando a que o regresso a Portugal seja forçado.

Não se sabe ao certo quantas empresas britânicas foram contratar trabalhadores a Portugal, mas a tendência deverá continuar, tal como tem acontecido com os professores idos do nosso país. Em 2014 o Reino Unido registou o maior índice de postos de trabalho dos últimos quarenta anos, e só no sector da construção civil não se contratava tanta gente desde 2007.