Um estudo realizado, pela Alcohol Concern, abrangendo 800 escolas primárias em Inglaterra e na Escócia, revelou dados, no mínimo, intrigantes. Segundo o referido, as crianças estão mais familiarizadas com marcas de bebidas alcoólicas, do que marcas de bolachas, batatas-fritas ou gelados, em especial se as campanhas publicitárias desse tipo de bebidas se mostrarem relacionadas com eventos desportivos de monta. Perante tais indicativos e preocupadas com o impacto na saúde dos mais pequenos, tem vindo a ser defendia a alteração da legislação existente, no tocante à publicidade a estes produtos. Medidas como a restrição de anúncios publicitários a marcas e bebidas alcoólicas a horários televisivos apropriados a crianças, ou a filmes considerados para maiores de dezoito anos, têm vindo a ser apontadas.

Tom Smith, em representação da Alcohol Concern, diz existir apoio do público para tais iniciativas serem levadas a cabo e acrescenta que "esta investigação demonstra o grau de exposição das crianças ao marketing alcoólico, com um nível superior nas crianças que têm interesse em desporto". Parece, pois, paradoxal, tal atitude, uma vez que, se por um lado incentivamos os jovens a abandonarem comportamentos sedentários, por outro publicitamos, utilizando o mesmo meio, bebidas, altamente prejudiciais ao seu desenvolvimento!

Por seu lado, uma voz da industria em questão (The Portman Group) aponta o estudo como sendo inconclusivo, e refere ainda que as taxas de consumo de álcool entre os jovens tem vindo a regredir na última década, indicando que "este não se trata de mais do que mais um estudo pobre da Associação em questão, que escolhe ignorar as estatísticas oficiais na matéria".

Não obstante o impacto notório e sabido, que a publicidade tem nos hábitos das crianças, fica a questão de saber o poder que uma lei limitativa da publicidade em televisão e cinema, referente a bebidas alcoólicas, poderá, de facto, ter na alteração dos hábitos dos jovens e nas estatísticas dos Serviços Nacionais de Saúde.