Quebrar os ciclos de pobreza a partir de uma educação mais digna para as crianças de Dhaka, Bangladesh, é o que Maria Cristina Conceição tem vindo a fazer desde 2005, data em que inaugurou a 'Maria Cristina Foundation', uma organização sem fins lucrativos. Esta nasceu do desejo de retirar crianças e adolescentes do estado de pobreza mais latente em que se encontram, resgatando-os para um presente com melhores condições de vida e com sonhos possíveis de realizar. E, tudo isso, através da educação. Para esta humanitária "a educação é a chave para a saída da pobreza".

Mas quem é Maria Conceição? E que motivo a faz persistir? Maria Conceição é, como ela própria se auto define, uma jovem portuguesa normal. Foi adotada aos dois anos por uma viúva angolana, mãe de seis filhos, que trabalhava a fazer limpezas para alimentá-los. Tinha como lema: "quem alimenta seis, alimenta sete!", recorda Maria Conceição, que herdou da sua mãe a força, o otimismo e a persistência de nunca desistir. Persistir é o que leva Maria Conceição aos seus limites e isto deve-se à educação que lhe foi transmitida. "O que me motiva é a minha mãe adotiva, Maria Cristina, e quando me comprometo não volto atrás", refere a jovem.

O projeto desta jovem nasceu por acaso. Viajava em trabalho, na 'Emirates Airlines', quando, em Bangladesh, viu uma realidade completamente diferente da sua. "Não estava à procura de uma causa para apoiar. Mas vi uma realidade, até então, desconhecida", conta. Primeiro visitou o orfanato de Madre Teresa de Calcutá, e de lá levaram-na para conhecer o hospital local. Foi nesse espaço que Maria se deparou com uma visão que a deixou "em completo estado de choque". "Vi sangue, fezes, feridas abertas e infetadas. Não havia camas, o prédio estava todo destruído e com esgoto a céu aberto", refere. Apenas com uma frase a jovem define o que presenciou, "parecia um matadouro e não um hospital".

A partir deste dia, Maria Conceição só se perguntava como era possível as pessoas viverem desta forma. Na altura, desistiu de uma viagem já marcada para a Nova Zelândia e rumou a Bangladesh, durante dez dias, com donativos arrecadados em Portugal para a população empobrecida de Dhaka. "Não me deixaram entrar no hospital, mas eu tinha donativos para entregar e estava determinada a fazê-lo. Concentrei-me nas crianças de rua para descobrir como elas viviam e acabei na favela de Guwair. Eles não tinham nada, mas ainda tinham esperança. Eu vi o grande potencial que havia ali, o que lhes faltava era uma oportunidade", conta.

E é esta oportunidade que tanto quer dar a esta população que nada tem. "Eu não penso em fazer diferença, eu apenas faço algo em que acredito e que penso que fará a diferença". A jovem afirma que, após nove anos de trabalho, estão a começar a ver resultados. "Normalmente temos que apoiar toda a família como prevenção. O desafio seguinte é providenciar uma boa educação. Em países como o Bangladesh, a maioria das pessoas são pobres e a competição é feroz, até para trabalhos muito mal remunerados. Viver na pobreza é extremamente duro", conclui.

O desafio foi lançado e Maria Conceição, atualmente a viver no Dubai, aceitou o seu. Como ela própria explica, "ao assumir estes desafios extremos, só mostra como eu estou preparada para alcançar o meu desejo. E isto reflete-se nos valores da minha Fundação, que tem como objetivo vencer a pobreza, o que obviamente é uma tarefa enorme". Pode encontrar mais informação sobre este projeto na página de Facebook da fundação: 'Maria Cristina Foundation'.