Amélia Reis, de 57 anos, trabalha actualmente em Paris, mas durante a juventude foi ama dos sobrinhos de Ricardo Salgado, trabalho que desempenhou até ao 25 de Abril de 1974. Há uns anos decidiu confiar no banco da família para a qual trabalhou, tendo investido no Banco Espírito Santo (BES) as poupanças de uma vida de trabalho, que começou com apenas 9 anos. Perdeu tudo, mas não pretende ficar de braços cruzados.

A actual emigrante contava com o dinheiro gerado pela poupança para a sua reforma e para pagar um crédito à habitação; mas ao fim dos dois contratos de poupança, nada recebeu. Foi numa agência do BES em Paris que o produto "Poupança Plus" lhe foi recomendado, mas segundo ela, este produto deixou entretanto de existir e agora desconhece o paradeiro do dinheiro aplicado no banco que colapsou há quase um ano.

Amélia Reis endereçou uma carta ao Presidente da República, dando conta do seu caso e a assessora aconselhou-a a contactar a Provedoria da Justiça. Não satisfeita com esta resposta, decidiu regressar esta semana a Lisboa, para se reunir com responsáveis do Novo Banco e do Banco de Portugal e encontrar uma solução para reaver o seu dinheiro; mas após a reunião com estes responsáveis continua sem saber se irá ou não reaver o dinheiro que viu desaparecer com a queda do BES.

Entretanto, a ex-ama da família Espírito Santo sugere a outros emigrantes em França que também subscreveram a mesma poupança (bem como outras, tais como a "Euro Aforro" ou "Top Renda"), a reunirem-se numa manifestação junto às instalações do Novo Banco, em Paris, de forma a reivindicarem o que lhes é devido.

Amélia Reis avança ainda com uma proposta que viabilize a devolução do dinheiro: a venda pelo Novo Banco do edifício que detém na capital francesa, junto à Torre Eiffel, onde está sediada a sucursal do banco. O presidente do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha, reafirmou esta segunda-feira ao Jornal de Notícias que os emigrantes lesados pelo BES serão reembolsados a partir de Maio, sem especificar datas.