Desde 1971 que se comemora o Dia Internacional do Cigano com o objectivo de sensibilizar para as dificuldades, essencialmente sociais, que aquela comunidade enfrenta. Em Portugal, a data será celebrada com diversas actividades programadas por entidades, instituições, associações e escolas, entre outras. Uma forma de dar visibilidade às acções que ao longo dos últimos anos têm sido realizadas e orientadas para a inclusão dos ciganos nas comunidades locais. Uma intervenção que tem sido feita, sobretudo, em redes de articulação entre diversas entidades, governamentais e privadas.

Segundo alguns documentos, os ciganos estão radicados em Portugal há cerca de 500 anos, tendo vindo do Nordeste da Índia. Um movimento migratório feito através de longas caminhadas e que levou alguns grupos a ficar pelos países que estavam nas suas rotas de passagem. Esses movimentos originaram a apropriação de culturas e línguas diferentes, mas com raízes comuns.

O primeiro grupo que chegou a Portugal em meados do século XV terá causado alguma estranheza, devido ao facto de ser um povo com uma língua estranha e que se vestia de forma exótica, com hábitos e culturas diferentes. Factores que tanto atraíam o interesse da sociedade, como também afastavam. Tal como acontece, de um modo em geral, nos dias de hoje.

Aquelas características levaram a que, progressivamente, fosse cada vez mais acentuada a discriminação e a marginalização das famílias ciganas, obrigando-as a viver afastadas da sociedade, muitas das vezes, em isolamento. E se por um lado, proporcionou que intensificassem a sua identidade e cultura próprias, conservando os seus valores de culto familiar, por outro, a sociedade aumentou a desconfiança e exclusão.

Só em 1822 Portugal passou a atribuir a cidadania portuguesa aos ciganos, que passaram então a ser reconhecidos como portugueses de pleno direito.

Nos dias de hoje, a situação dos ciganos ainda é considerada vulnerável, apesar das grandes transformações sociais que têm ocorrido. Verifica-se, ainda, uma série de factores que levam a sociedade a discriminá-los. Contudo, há quem defenda o contrário e que aponte o dedo às comunidades por serem resistentes a alguns princípios sociais, face ao índice elevado de detenções e desobediências às regras da sociedade.

É com vista a um melhor conhecimento da sua história, hábitos e culturas, que têm sido implementadas diversas iniciativas, com vista a gerar novas dinâmicas entre ciganos e não-ciganos. Numa lógica de respeito e apreço mútuos.