Há muitos portugueses a deitar desnecessariamente comida para o lixo. Uns porque deitam fora alimentos cozinhados em excesso. Outros porque rejeitam produtos fora do prazo de validade mas sem que isso signifique perigo para a saúde. Estas duas conclusões fazem parte de um estudo da Deco, no qual foram inquiridos 1725 consumidores entre os 25 e os 74 anos. A amostra, mencionada num artigo publicado na edição de Abril da revista Proteste, mostra que mais de metade das pessoas inquiridas admite deitar para o lixo os produtos fora do prazo, um gesto que pode significar desperdício caso se esteja perante produtos cujas embalagens indiquem "consumir preferencialmente antes de".

Segundo a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, esta indicação nas embalagens significa a durabilidade mínima dos produtos, podendo os mesmos ser consumidos para além da data de validade, desde que estejam em boas condições de conservação e com a embalagem fechada. Mais de 40% dos inquiridos põe fora estes produtos. Já quanto aos artigos com a indicação "consumir até", tratando-se de produtos perecíveis como carne, peixe, enchidos, ovos, leite, bolos com cremes, queijo fresco, iogurtes, a Deco aconselha que sejam deitados ao lixo logo que atinjam o prazo de validade.

O estudo revela que cerca de três terços dos inquiridos não sabe distinguir entre "consumir até" e "consumir preferencialmente antes de". No primeiro caso há que respeitar a data limite do consumo. No segundo caso, os produtos podem ser consumidos para além do prazo indicado pois a data na embalagem respeita à validade mínima do produto, não se correndo riscos se o artigo alimentar respeitar as normas de conservação.

A amostra da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor revela que 14% dos inquiridos põem comida fora porque cozinham alimentos em excesso. Citada pela agência Lusa, a Deco informa que "a maioria dos pratos cozinhados e das sopas pode ser congelada durante três meses", evitando-se assim desperdício. O estudo analisa ainda os hábitos das compras alimentares, revelando que sete em cada 10 inquiridos preferem os hipermercados pelos preços que apresentam, sendo este a razão principal dessa escolha. Apenas 4% das pessoas inquiridas fazem compras alimentares online.

O estudo faz referência ainda ao uso de cupões de descontos (dois terços dos inquiridos recorrem com frequência a eles) e à compra de produtos em promoção. Os inquéritos foram realizados entre setembro e novembro do ano passado junto de 1725 pessoas.