Embora esteja de acordo com o facto de a nossa política externa dever ter um pé na Europa e outro no Atlântico, a professora da Universidade de Évora, Maria Manso, considera que "deveríamos dedicar maior percentagem de atenção aos Países Lusófonos e às regiões que, por questões culturais, se mantêm/estiveram ligadas a Portugal. Somos europeus, mas somos sobretudo lusófonos. Na actual situação em que o País se encontra, necessitaríamos de desenvolver políticas de cooperação que possibilitassem o fortalecimento da CPLP e permitissem uma "menor dependência" de Portugal face às políticas europeias". Maria de Deus Beites Manso, docente e investigadora nas áreas da Arqueologia e de Humanidades, vai estar no Porto na próxima na quinta-feira, dia 19, para falar da expansão da língua, da Lusofonia, da CPLP, e do reforço do papel da comunicação social do Estado.

A propósito da palestra que vai proferir na Quinta da Bonjóia, a convite da AICEM - Associação do Idioma e das Culturas em Português, com sede no Porto - Maria Manso considera que, para a construção do Projeto da Lusofonia, a língua e os afetos são essenciais mas "também precisamos de desenvolver uma política que fortaleça as relações no âmbito do ensino (reconhecimento dos graus académicos, criar /aumentar - ou criar - os programas de mobilidade docente e discente…) e no âmbito da investigação na CPLP. Para as regiões que não fazem parte da CPLP mas que tiveram ligações a Portugal devíamos criar políticas de cooperação que preservassem viva esta ligação cultural e linguística".

Recentemente entrevistada no programa "Em Nome do Ouvinte", da RDP, a propósito do encerramento das emissões em Onda Curta, o qual critica, Maria Manso afirma que "há uma sede de ouvir a língua portuguesa e que é preciso dar condições para que as pessoas se sintam ligadas à língua e à história de Portugal. Há quem se sinta português, mesmo não tendo a nacionalidade e, de alguma maneira, há mesmo quem se sinta abandonado por Portugal".

O Instituto Camões tem o seu papel importante e fundamental mas, na opinião de Maria Manso "não é suficiente o que se ensina numa universidade". Por isso, diz, os meios de comunicação social "devem conseguir reforçar, dar mais condições para que as pessoas, ouvindo, possam treinar a língua e, ao mesmo tempo, ficar a conhecer a história e a cultura".

A internet ainda não chega a todo o lado, nomeadamente em África e na América do Sul, pelo que se justifica a existência do serviço da Onda Curta na RDP, à semelhança do que fazem outros países europeus, particularmente a Espanha. Contudo, refere, é necessário levar a cabo um estudo para melhor conhecer o público-alvo e que permita repensar a programação, sobretudo tendo em conta a grande heterogeneidade.

É bom recordar que o número de falantes da língua portuguesa tem aumentado, estimando-se que, em 2050, atinja 350 milhões espalhados pelos cinco Continentes.