Isabelle Oliveira, 38 anos, natural do Minho, tinha sido anunciada na imprensa portuguesa como a nova vice-reitora da conceituada Universidade de Sorbonne de Paris (França). Mas não foi só. Entre outras incoerências, também tinha sido revelado que já tinha alcançado o posto de professora catedrática e que foi diretora da Faculdade de Línguas Estrangeiras Aplicadas, na mesma instituição. Uma história que parece ser extraordinária, tendo em conta o prestígio da instituição... mas que é só uma grande farsa! 

Está instalada a polémica. Afinal tudo não passa de uma grande mentira lançada pela portuguesa residente em França. Isabelle Oliveira, não ocupa, nem ocupou nenhuma das posições que afirmava assumir. A Faculdade na Sorbonne, da qual dizia ter sido diretora,  na realidade é... apenas um mero departamento inserido na Faculdade de Línguas, Literaturas, Civilizações e Sociedades Estrangeiras na Universidade de Sorbonne Nouvelle Paris3 (uma entidade de ensino distinta da histórica Sorbonne)! E mais, esse  Departamento é  liderado (sim, isso é real) pela portuguesa desde 2011.

Longe de imaginar que toda esta história não passava de uma mentira, surgiram vários comentários na Internet a elogiar o feito. Algumas celebridades portuguesas associadas ao mundo da política reconheceram o mérito do seu trabalho. Uma mentira que chegou a convencer, por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa. No seu espaço semanal na TVI, chegou a dizer que Isabelle Oliveira era um orgulho para Portugal, era um grande caso de sucesso da emigração portuguesa.  O deputado europeu Carlos Moedas chegou a contar com a suposta Vice-Reitora para marcar presença no  jantar do Dia da Mulher.

No seguimento do seu aparente sucesso, a Revista Visão decidiu entrevistar Isabelle Oliveira. E para surpresa (ou não), a mensagem transmitida não correspondeu à imagem criada. Quando foi confrontada com a questão se era reitora, não deu nem uma resposta positiva nem negativa, demonstrando estar nervosa ao ponto de desejar ler uns papéis. A resposta acabou por surgir através de Loïc Depecker, um docente que assistiu à entrevista. Aquele órgão referiu: "O reitor eleito pode escolher o número de vice-reitores". Após insistência e irritada, Isabelle acaba por dizer à Visão que tinha sido eleita e que: "Estava na lista de apoios a Carle Bonnafous-Murat (o reitor que ganhou as eleições)". 

A reitoria da Sorbonne revela que, na verdade, Isabelle Oliveira não é e nem será, pelo menos a breve prazo, Vice-Reitora. Apesar de existirem neste momento duas vagas por preencher para esse cargo, o nome da portuguesa não foi equacionado.