Uma queixa frequente dos casais de longa data relaciona-se com o facto dos parceiros já não serem tão carinhosos como o eram no início do relacionamento. Mesmo que a actividade sexual continue a ser frequente, é comum ouvirem-se relatos que demonstram que a intimidade e carinho vão caindo no esquecimento ao longo do tempo. Contudo, os momentos de afecto que acontecem antes das relações sexuais poderão ser tão importantes como o sexo em si. Um novo estudo vem demonstrar que o afecto físico entre o casal, quer leve ao sexo, quer não, é uma variável positiva para os relacionamentos. 

A investigação foi realizada com 397 casais heterossexuais e pretendeu verificar de que modo as indicações de intimidade física - isto é, toques físicos que se usam para demonstrar que se quer fazer sexo - influenciam o relacionamento. Alguns desses toques incluem abraços, beijos, ficar em conchinha ou massagens. Embora estudos anteriores tenham sugerido que esses momentos de iniciação podiam ser negativamente coercivos para o parceiro, este estudo veio contestar essa teoria. De acordo com esta investigação, as tentativas de estimular a intimidade física levam a maior satisfação com o relacionamento, maior estabilidade, melhor comunicação e menos conflitos.

Embora estes rituais se tenham perdido ao longo do tempo em relacionamentos de longo prazo, o contacto frequente tem um enorme impacto sobre os relacionamentos. De acordo com as declarações de Chelom Leavitt, co-autor do estudo, isto acontece porque "demonstra interesse na relação e no parceiro". O investigador explica que, mesmo quando os casais não fazem sexo, o facto de terem estado a mimar-se mutuamente fortalece a relação porque isso "transparece um desejo de estar perto e um comprometimento com a relação". O estudo, lançado pela primeira vez no ano passado, está previsto ser publicado no Journal of Social and Personal Relationships durante o mês de Março.

Um outro estudo vem demonstrar que estes rituais também são importantes pós-sexo. A investigação, de 2014 e publicada na revista Archives of Sexual Behavior, descobriu que os casais que são carinhosos após terem estados juntos sexualmente relatam mais satisfação com o relacionamento e uma maior satisfação sexual. E porquê? Porque a intimidade física, como os abraços, encorajam a troca mútua e constante de carinho. Amy Muise, co-autora do estudo, afirma que esses comportamentos conduzem a uma sensação de bem-estar, o que leva a uma maior vontade de fazê-lo novamente, e, consequentemente, a uma maior aproximação do casal.

Além disso, este tipo de contacto físico pode ainda trazer benefícios para a saúde. Alguns estudos demonstram que a troca de afecto produz uma hormona que reduz o stress, a ansiedade e a depressão, fortalecendo, por outro lado, o sistema imunológico.