Mukesh Singh, cidadão indiano já condenado num famoso processo por violação, veio explicar melhor os motivos do seu #Crime. Para Singh, as mulheres são culpadas de provocar os homens, usando "roupas erradas" e fazendo "coisas más", como ir a bares e discotecas. Singh defende também que uma mulher que esteja na rua às 21 horas é muito mais culpada pela violação que o homem. De resto, o homem está "no direito" de "dar uma lição" a uma mulher que se comporte de forma errada.

Singh foi condenado à pena de morte pelo crime de violação, que ocorreu em 2012. Não obstante, o homem não teve receio de expôr os seus pontos de vista numa entrevista. O seu advogado veio, posteriormente, apontar que "essa entrevista não deveria ter sido dada", uma vez que elimina quaisquer simpatias ou possibilidades de clemência que o criminoso pudesse ainda obter. Singh, além de defender que o lugar da mulher é em casa, deu ainda opiniões escabrosas, nomeadamente que "a mulher deve ficar em silêncio e permitir a violação", uma vez que se trata de um castigo justo.

Singh, motorista de autocarro, foi um dos que "castigou" uma mulher que entrou no seu autocarro, depois de ir ao cinema. Nem o facto de estar acompanhada por um homem serviu de atenuante. Pelo contrário, cinco homens que estavam no autocarro participaram no acto de violência, espancando o acompanhante. Quanto à mulher, de 23 anos, morreu 2 semanas depois, em consequência dos ferimentos. Singh é um de 4 condenados à pena capital neste processo.

Não se sabe se Mukesh Singh sofre de psicopatia ou de algum distúrbio mental que reforce as suas convicções pessoais. A falta de arrependimento demonstrada na forma fria como deu a entrevista parece ser um indício de desequilíbrio mental. Contudo, a BBC - canal onde a entrevista será transmitida - aponta que Singh e os restantes criminosos são pessoas normais. 

Sabe-se que a culpabilização da mulher, por uma mentalidade que faz do seu corpo, antes de qualquer outra consideração, um objecto sexual, é transversal a muitas culturas e religiões. Ultimamente, o problema tem obtido maior visibilidade na Índia, onde casos grotescos deste género têm obtido mais divulgação e condenação. A pena aplicada a Mukesh Singh é um sintoma desta excelente mudança cultural, mesmo que se considere a pena capital como um castigo a não aplicar. São pequenos passos no desenvolvimento, a nível global, de uma cultura menos machista e que saiba proteger e valorizar a mulher, sem deixar de lhe dar um lugar no espaço público, na rua.