João Araújo, advogado de José Sócrates, concedeu esta terça-feira uma entrevista ao jornal “i”, em que aborda diversos aspectos do caso Marquês. Do mais recente episódio em que mandou uma jornalista do Correio da Manhã (CM) tomar banho, à rejeição do Habeas Corpus, a críticas dirigidas a todos aqueles que falam do processo sem o conhecerem, João Araújo não deixou perguntas sem respostas. Ao seu estilo, o defensor do antigo primeiro-ministro português atirou-se ainda, com um toque de humor, a jornalistas e comentadores. Mas já lá vamos.

Numa conversa em que voltou a tecer críticas à forma como o processo tem sido conduzido, João Araújo frisou, uma vez mais, que tem dúvidas sobre a legalidade do processo. “Eles [Rosário Teixeira, procurador do Ministério Público, e o juiz Carlos Alexandre] têm conduzido a investigação muito bem. Mas isso não quer dizer que estejam a conduzi-la no caminho da lei”, começou por referir o advogado de Sócrates, que reafirmou: “O conjunto de ilegalidades é por demais evidente”.

Para João Araújo, a condenação na praça pública a que o seu constituinte tem sido sujeito acontece devido ao desconhecimento do processo. “Não posso esperar que as pessoas compreendam aquilo que não sabem, aquilo que não leram. O que transmitem não passa de uma versão do seu pensamento”. Deste modo, o defensor de Sócrates considera que jornalistas e comentadores são como bêbados que “deixam cair as chaves quando regressam a casa”, mas ao invés de as “procurarem onde deixaram cair, vão procurá-las junto de um candeeiro para terem luz”.

Sobre Rosário Teixeira, João Araújo sublinha que o procurador do MP “não é burro”, nem “analfabeto”, pelo que não aceita que este tenha escrito a “imputação de factos” de forma ambígua. “Quando um magistrado do MP redige uma imputação de factos a primeira obrigação que lhe assiste é redigi-la de forma entendível, clara. Ele sabe escrever e se o fez em termos ambíguos para permitir mais que uma leitura, então fê-lo porque quis”. Relativamente à rejeição do Habeas Corpus, o advogado de José Sócrates é taxativo, ao afirmar que “os tribunais até podem ter dúvidas quanto aos factos, mas nunca quanto ao Direito”.

E foi justamente depois de conhecida a decisão do Supremo Tribunal de #Justiça em rejeitar o pedido de Habeas Corpus, que João Araújo protagonizou um episódio que rapidamente inundou as redes sociais. O advogado de Sócrates disse a Tânia Laranjo, jornalista do CM, para ir “tomar banho”, porque “cheirava mal”. Instado a comentar este episódio, João Araújo procurou separar as águas. “Há uma pessoa que sou eu e há outra pessoa que é José Sócrates, o meu constituinte. Esse episódio só diz respeito a mim. E uma vez que eu não sou interessante do ponto de vista jornalístico, não aceito o interesse que se gerou à volta desse episódio”.