Parece que não existe volta a dar. O setor das telecomunicações continua, de ano para ano, a ser o principal alvo das queixas dos consumidores. Em 2014, e pelo 12º ano consecutivo, este setor voltou a liderar o descontentamento dos portugueses, expresso nas cerca de 60 mil queixas das 550 mil reclamações recebidas pela Deco. As queixas nas telecomunicações junto da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor estão relacionadas com dupla faturação, práticas enganosas dos comerciais e fidelização dos contratos.

Os números da Deco, divulgados esta sexta-feira, dia 13, pela agência Lusa, colocam em segundo lugar, com 28 mil queixas, o setor da compra e venda onde se destacam as vendas à distância, porta-a-porta e "online." Neste setor foram milhares as queixas relativas ao incumprimento do prazo de reembolso, a ausência de entrega dos bens e, no comércio online, a disparidade entre o preço publicitado e o que foi cobrado.

As queixas deste setor subiram uma posição relativamente a 2013, trocando de lugar com o setor de serviços de interesse geral, que desceu para a terceira posição com cerca de 27 mil reclamações. Aqui, nos dados revelados pela Lusa, os consumidores centraram o seu descontentamento nos serviços associados ao fornecimento de energia e na mudança de comercializador de energia.

O setor bancário foi, também, um dos que recebeu mais queixas dos portugueses, nada menos do que 26 mil reclamações. Entre estas, mais de duas mil dizem respeito a clientes lesados do antigo Banco Espírito Santo (BES) que levaram a Deco a avançar com duas ações judiciais já em 2015 com o objetivo claro de "exigir que os consumidores sejam indemnizados das perdas." Em quinto lugar ficaram as queixas relativas a seguros (8911).

Os números da Deco, divulgados a dois dias de se comemorar o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, mostram que os portugueses reclamaram mais em 2014, representando uma média acima das 150 queixas diárias. Segundo a associação "o novo consumidor português é mais esclarecido e informado" mas "embora mais atento às tendências de mercado e conhecedor dos seus direitos, continua a enfrentar conflitos já recorrentes e que refletem as condições económico-sociais do País". As 549 209 reclamações apresentadas à Deco em 2014 representam um acréscimo de 9,5% face a 2013.