De acordo com o mais recente estudo divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), um quinto da população que se encontra a trabalhar, sofre de uma doença mental. As doenças mentais podem vir a manifestar-se de forma mais intensa e afetar o desempenho laboral das pessoas que as possuem no decorrer da sua vida profissional. Para a OCDE o principal problema está associado ao ambiente laboral que os trabalhadores vivem em algumas empresas e que, de certa forma fazem com que pequenos distúrbios se desenvolvam de forma mais rápida. Como forma de contrariar esta tendência, as empresas são aconselhadas a prevenir e detetar trabalhadores que possam estar a desenvolver este tipo de distúrbios assim que se começarem a manifestar alterações no seu comportamento ou desempenho normal diário.

Já no ano de 2010 a União Europeia (UE) desenvolveu alguns estudos sobre esta situação e chegou mesmo a contabilizar o custo médio de cada país, que se situava na casa dos 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Tanto a UE como a OCDE concluem que na generalidade os problemas mentais só são detetados na população que já se encontra desempregada há algum tempo, mas que, no entanto, esses mesmos problemas ter-se-ão desenvolvido enquanto ainda se encontravam no mercado laboral. A intervenção para controlar e evitar o desenvolvimento deste tipo de doença, deve ser feita através de um maior rigor na deteção de casos que se manifestem ainda durante a fase educacional, antes do indivíduo passar para o mundo laboral.

O ambiente laboral em que a população vive atualmente também é responsabilizado. Neste caso as empresas devem cumprir com o seu dever cívico e criar mecanismos que facilitem a deteção de casos em que os trabalhadores estejam a manifestar alterações ao seu desempenho ou atitudes, para que se possa prevenir o desenvolvimento de uma qualquer doença mental nesses mesmos trabalhadores. A OCDE aponta para a necessidade de ser criada uma política de coordenação entre as áreas do emprego, saúde e educação, pois só assim se pode atuar de forma preventiva e não reativa. O caminho é alterar o hábito existente de atuação apenas quando a doença mental já fez com que o indivíduo tenha abandonado o mercado laboral e passar atuar de forma mais eficaz assim que exista um sinal de manifestação da mesma.