Quase oito anos depois do desaparecimento da pequena Maddie McCann, o caso ainda continua a dar que falar. Esta quarta-feira, dia 18, o tabloide Daily Star avança que a polícia britânica foi pressionada para terminar as buscas pela menina porque os investigadores são necessários no Reino Unido para combater o terrorismo. O sindicato não compreende porque é que 31 agentes estão em Portugal a investigar um crime que nada tem a ver com Londres quando a cidade vive um pico de homicídios e tem de combater as ameaças do Estado Islâmico. A Operação Grange já custou mais de 10 milhões de libras.

"Agentes que sofrem com os cortes de 600 milhões de libras na polícia esforçam-se para investigar 14 assassinatos desconexos em toda a capital desde o Natal, ao mesmo tempo que travam uma guerra contra o terrorismo. Entretanto, uma equipa de especialistas, com 31 detectives, continua a trabalhar exclusivamente na busca de Madeleine, que desapareceu há oito anos durante as férias dos seus pais em Portugal" começa por descrever o periódico inglês, que acrescenta que, "apesar de o mistério não ter qualquer ligação a Londres, a investigação foi entregue à Polícia Metropolitana há quatro anos, depois de os pais, Kate e Gerry, terem feito um pedido pessoal a David Cameron".

Após dezenas de viagens de agentes britânicos a Portugal, ninguém foi preso. O inspector-chefe Andy Redwood, inicialmente responsável pelo caso, já se reformou. Mas a operação Grange - como é conhecida no Reino Unido - que até agora custou cerca de 10 milhões de libras, continua. "Os agentes estão perplexos porque têm de trabalhar dia e noite para investigar uma série de homicídios e combater a ameaça representada pelo Estado Islâmico quando 31 detectives que poderiam ajudar a aliviar essa carga de trabalho estão impedidos de ajudá-los. Isto porque os chefes de polícia autonomizaram o caso de Madeleine para impedir os agentes envolvidos de trabalharem noutros casos", prossegue o matutino.

Os líderes dos sindicatos da polícia querem então que o caso seja arquivado e os detectives destacados para outros inquéritos. O presidente da Federação da Polícia Metropolitana, John Trully, disse ao jornal: "É tempo de nos recentramos no que precisamos de fazer para manter Londres segura. Já não temos recursos para realizar investigações especiais, que nada têm a ver com Londres, em todo o mundo. A Polícia Metropolitana tem sido vista como um último recurso para investigações que outros não conseguem resolver. Mas sofremos cortes de 600 milhões de libras. Fechámos 63 esquadras de polícia em toda a cidade. Mais 800 milhões de libras de cortes são esperados nos próximos quatro anos. É surpreendente ver uma investigação como a dos McCann autonomizada. Tenho ouvido rumores de descontentamento sobre isso de várias fontes. Quando enfrentamos um pico nas investigações de homicídios, não é surpreendente que haja um ressentimento por haver recursos significativos a serem desviados para um caso que, aparentemente, não tem qualquer ligação a Londres".

A Operação Grange foi criada para analisar a investigação inicial da polícia portuguesa ao desaparecimento de Madeleine McCann, que tinha três anos quando desapareceu de um apartamento num resort da Praia da Luz, no Algarve, onde os pais estavam de férias, a 3 de Maio de 2007. Depois de o caso ter sido arquivado em Portugal, os McCann apelaram, com sucesso, ao primeiro-ministro britânico para que a Polícia Metropolitana de Londres reexaminasse a investigação. Um porta-voz da Met confirmou ao Daily Star que os 31 agentes atribuídos à Operação Grange trabalham unicamente nessa investigação e não estão envolvidos noutros casos.