Hoje é sexta-feira 13 - a segunda de 2015. Na crença popular, o dia de hoje pode ser sinónimo de azar, medo e superstição. Mas se há os que sentem calafrios só de olhar para a data do calendário, há os que acreditam que o dia atrai a sorte. As opiniões dividem-se. A única certeza é que, em Montalegre, cumpre-se, uma vez mais, a tradição e, hoje, as bruxas vão mesmo "andar à solta".

Ver gatos pretos, passar por debaixo de escadas, partir espelhos, entornar azeite no chão, sentar numa mesa de 13 pessoas, são alguns dos cenários de infortúnio que povoam, habitualmente, a mente dos supersticiosos e que, especialmente, hoje, são de "fugir a sete pés". E afinal, com tantos dias no ano, por quê ser este sinónimo de infortúnio, bruxedos e azares?

A Blasting News saiu à rua para saber o que gira em torno desta data "malfadada" e do número treze. As explicações são variadas - interpretações religiosas, numerológicas ou esotéricas. Fica a certeza de que a superstição é antiga e que perdura, no tempo, até hoje. Uma das razões de se ter criado o mito da sexta-feira 13 parece estar ligada a um episódio da Bíblia, como referiu Rui Barbosa, licenciado em Ciências Religiosas pela Universidade Católica Portuguesa: "Segundo a crença cristã, na última ceia, Jesus sentou-se à mesa com os 12 apóstolos. Crê-se que Cristo foi crucificado e morreu na sexta-feira seguinte que, consequentemente, ficou a ser lembrada como um dia fatídico".

Tarot: 13 é morte

"O número 13 simboliza um índice do mal em muitos lugares do mundo. Em astrologia, o algarismo é funesto e condenado. Os estudiosos da numerologia afirmam que o mesmo 13 (1+3=4) significa desgraça, fatalidade, pobreza, decadência. Aliás, nas cartas de tarot, o 13 significa mesmo a morte", explica Maria Faia, responsável por uma loja de produtos místicos, no Porto.

Contudo, a data divide opiniões entre os supersticiosos e os cépticos. Há quem apenas respeite o dia pois "não vá o azar esconder-se à espreita" e há mesmo quem acredite que é dia de a sorte bater à porta.

''As melhores coisas da minha vida aconteceram numa sexta-feira 13: foi o dia do nascimento do meu filho e casei num dia 13", contou Alexandra Santos, funcionária pública. Francisco Pontes é outro exemplo de que o número traz boas vibrações: "Tirei a carta de condução e consegui emprego, tudo, em dias 13. É impossível não os consagrar como dias de sorte", sublinhou.

Quem não passa debaixo de uma escada, não se senta com doze à mesa, não deixa o chinelo virado ao contrário, foge de gatos pretos e não lava o cabelo a 13 é Manuel Morgado, coordenador comercial. "Em relação às sextas-feiras 13, a minha avó dizia que trabalhar, cozinhar e lavar a cabeça era coisas proibidas nesses dias. Não sei, mas tradição é tradição, e é melhor respeitar", assumiu.

Na opinião de Joana de Oliveira, psicóloga, a sexta-feira 13 é "uma data arquétipo, criada pelo inconsciente colectivo, estando a raiz da superstição no medo da morte".

Montalegre preparada para mais uma "Sexta 13"

Com ou sem medo, na rota de todo misticismo que envolve a sexta-feira 13 está, como sempre, Montalegre, onde, hoje, são esperados milhares de curiosos do mundo sobrenatural para ver "bruxas à solta", cumprindo uma tradição, cujo sucesso de edições anteriores tem levado, cada vez mais gente à capital do Barroso.

Portanto, se é do tipo supersticioso, relaxe e aproveite a data ou, então, vá até Montalegre. Afinal, apesar de 13, hoje é sexta-feira.