Segundo a ERC, Entidade Reguladora para a Comunicação Social, e de acordo com uma proposta de deliberação, estes concursos telefónicos são considerados "ações enganosas" e "práticas comerciais agressivas". Durante o ano passado a ERC recebeu várias queixas e pedidos de informação sobre a autenticidade destes concursos. Contactaram o regulador, para além de espetadores, a Associação Portuguesa de Casinos (defendendo que jogos de fortuna e azar são exclusivamente de casinos), a Direção-Geral do Consumidor. Também o Provedor de Justiça terá informado que recebeu reclamações.

De acordo com a proposta de deliberação, esta deverá "declarar ações enganosas as informações promocionais dos concursos publicitários ( ... ) onde se induz nos concorrentes a convicção de que os prémios atribuídos se consubstanciam em dinheiro ou coisa convertível em dinheiro". O documento diz ainda que existem "apelos insistentes à participação ( ... ) como práticas comerciais agressivas de modo a fazer um aproveitamento consciente de situações de infortúnio pessoal". Averiguando o relatório de contas relativas à TVI e SIC, só estas duas estações televisas terão faturado cerca de 50 a 60 milhões de euros, respetivamente, em receitas de multimédia, incluindo nestes valores os lucros obtidos com estes concursos televisivos. A ERC irá informar sobre esta questão a Direção-Geral do Consumidor e a Secretaria Geral do Ministério.

No ano passado foi assinado um acordo de auto-regulação que entrou em vigor a 1 de Julho. TVI, RTP e SIC dizem que os números de telefone usados não são de valor acrescentado, mas apenas de tarifa única, tendo autorização do MAI para o fazer. O Instituto do Turismo de Portugal, com poder consultivo sobre o jogo, pode vir a proibir os canais televisivos de realizarem estes concursos. As estações de #Televisão terão deixado de dar dinheiro, passando assim a dar saldos em cartão, barras de ouro ou viagens. Até porque os prémios de grande valor em dinheiro são um direito exclusivo dos casinos.