Gonçalo Amaral foi condenado a pagar 500 mil euros ao casal McCann por causa do livro que escreveu 'A Verdade da Mentira'. Neste livro o antigo inspetor da Polícia Judiciária defende que Madeleine não foi raptada na noite de 3 de maio de 2007, mas antes que teria morrido num acidente e que os pais seriam responsáveis pela ocultação do cadáver. O Tribunal Cível de Lisboa fez conhecer esta terça-feira, dia 28 de Abril, a decisão sobre o caso que levou os pais de Maddie a processar Gonçalo Amaral, alegando que a publicação do livro causou danos emocionais e psicológicos na família.

Além do valor da indemnização, a editora fica também impedida de vender mais exemplares do livro e tem de entregar ao tribunal todas as unidades atualmente disponíveis. A Valentim de Carvalho, responsável pela realização de um documentário baseado na obra, está também proibida de vender cópias. Gonçalo Amaral, coordenador da equipa da Polícia Judiciária de Portimão que investigou o desaparecimento da menina, que à data dos factos tinha três anos, pode ainda recorrer da decisão.

O valor da indemnização fica abaixo de metade do valor inicialmente pedido pelo casal inglês, que era de 1,2 milhões de euros. A decisão agora conhecida pode estar relacionada com o facto de o tribunal ter considerado, em janeiro deste ano, que o estado psicológico negativo dos pais de Maddie já era conhecido antes da publicação do livro e que não tinha ficado provado que o casal se encontre destruído do ponto de vista moral e ético, tal como alegava.

Desaparecimento com oito anos

A decisão é conhecida quando faltam poucos dias para que se cumpra o oitavo aniversário de desaparecimento de Madeleine McCann. Os factos ocorreram a 3 de maio de 2007 quando a menina e os dois irmãos gémeos, mais novos, ficaram a dormir fechados num apartamento de uma instância turística da Praia da Luz, em Portimão, enquanto os pais jantavam no complexo com casais amigos.

Os pais sempre defenderam a tese de rapto e, apesar de ter sido essa a primeira linha da investigação das autoridades portuguesas, a Polícia Judiciária foi abandonando progressivamente essa hipótese, tendo mesmo chegado a inquirir os pais na qualidade de arguidos.

A verdade do desaparecimento de Maddie está, até hoje, envolta em mistério. O caso correu mundo, os pais fizeram várias campanhas para encontrar a filha e foram muitos os avistamentos da menina reportados, mas todos se revelaram falsos. Vários anos após o arquivamento do caso pelas autoridades nacionais, a polícia britânica decidiu reabrir o caso e fez algumas diligências em Portugal, mas todas se revelaram infrutíferas.
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